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Imigrantes brasileiros têm fortalecido a rede de solidariedade às vítimas das chuvas e inundações que atingem diversas regiões de Portugal. Na cidade do Fundão, a empreendedora paranaense Narion Coelho doou alimentos e outros produtos a um agrupamento escolar, através da Associação de Apoio Brazuca e Amigos (AABA). Em Tortosendo, na Covilhã, distrito de Castelo Branco, o pastor paulista César Almeida organizou uma campanha que reuniu dezenas de voluntários, arrecadou donativos e reforçou a participação ativa de estrangeiros nas ações locais de apoio humanitário.
Moradora do Fundão, região Centro de Portugal, Narion é proprietária de uma loja de produtos brasileiros e preside a AABA. Diante das três campanhas de apoio às vítimas das chuvas, já existentes na cidade, optou por não criar uma nova mobilização. Preferiu fortalecer as ações em andamento, divulgando-as e incentivando a participação de outras pessoas, com o objetivo de demonstrar que os imigrantes integram a comunidade e acompanham de perto as necessidades locais.
No ano passado, durante os incêndios que atingiram algumas regiões portuguesas, a entidade promoveu uma “vaquinha virtual” que arrecadou 189 euros. Segundo Narion, o valor não chegou a ser utilizado à época. Ela enviou mensagens às juntas de freguesia do Fundão para saber como poderia aplicar o recurso e diz que não obteve respostas. O montante permaneceu guardado, reservado para uma situação de vulnerabilidade semelhante.
Com as chuvas que provocaram danos em várias cidades portuguesas, nas duas últimas semanas, a presidente da AABA decidiu utilizar o valor para a compra de alimentos destinados a famílias afetadas. A entrega foi feita em um agrupamento escolar do Fundão, de onde os donativos seguirão para uma central de arrecadação na Marinha Grande, no distrito de Leiria, responsável por organizar a distribuição.
“Eu me sinto uma pessoa útil e que se coloca no lugar das outras pessoas. Elas precisam, não é culpa delas o que está acontecendo, não é culpa de ninguém, é um imprevisto [as chuvas e inundações] e a gente tem que pensar no outro como se fosse a gente. Todo mundo está junto no mesmo barco e há crianças, pessoas idosas, doentes, que estão precisando de apoio e ajudar me faz bem”, detalha Narion.
Para a brasileira, a mobilização também fortalece o sentimento de pertencimento da comunidade brasileira em Portugal. “Faz bem para a nossa comunidade, para mim como presidente da Associação representar essas pessoas. E acho que é esse o sentimento o pessoal da nossa comunidade aqui tem: mesmo que seja com pouco, a gente conseguir aliviar um pouquinho a dor do outro, alivia o nosso dia a dia também. E faz o nosso dia muito mais útil e com mais razão para estar aqui nesse mundo”.
Castelo Branco
No distrito de Castelo Branco, também na região Centro do país, uma mobilização partiu de brasileiros. A campanha organizada em 1 de Fevereiro pela Igreja Portugal para Cristo Covilhã, em Tortosendo, foi articulada pelo pastor César Almeida. A ação reuniu 40 voluntários, em sua maioria brasileiros, mas contou com participantes de diferentes origens.
“Todos estão unidos pelo mesmo propósito de servir e ajudar. Não temos um número exato da quantidade arrecadada, mas realizamos duas entregas significativas: na primeira, o porta-malas de um carro foi completamente cheio; na segunda, utilizamos outro veículo carregado. Foram arrecadados principalmente alimentos não perecíveis, água e itens essenciais para bebês, como fraldas e lenços”, ele destaca.
Parte dos donativos foi entregue a uma comunidade cristã em Leiria, responsável por montar cestas básicas para distribuição. Outra parte foi levada diretamente às famílias atingidas. Pastor e missionário, César está há mais de dez anos fora do Brasil e vive atualmente no Fundão com a esposa, Jéssica Almeida.
Ao longo desse período, ele pontua que atuou em diferentes contextos de ajuda humanitária, a exemplo do terremoto no Haiti, em Janeiro de 2010, e também na Jordânia, onde morou três anos e trabalhou com pessoas em situação de refúgio, oriundas da Síria e do Iraque. Também em projetos sociais com comunidades ciganas na Romênia. Todas essas experiências, afirma, facilitam que hoje ele desenvolva respostas rápidas em momentos de crise.
“Ajudar, para nós, não é algo ocasional, é um compromisso. É uma expressão prática da fé e também uma forma de gratidão. Portugal é a nação que nos acolheu, e entendemos que fazemos parte desta sociedade. Não viemos para extrair, mas para contribuir. Em momentos difíceis, acreditamos que o mais importante é estar presente, com recursos, tempo e com apoio humano”.
Em situações anteriores, como durante os incêndios, o grupo, também arrecadou água e soro fisiológico para bombeiros e prestou apoio às equipes. César destaca que a mobilização reforça o papel da solidariedade na integração social.
“O mais importante é que ações como esta mostram que, independentemente da origem, quando as pessoas se unem em torno de um propósito comum, a ajuda chega a quem precisa. Acreditamos que esse tipo de mobilização fortalece laços e constrói pontes dentro da própria comunidade”, finaliza o brasileiro.
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