O cabaz de alimentos essenciais atingiu esta semana os 254,40 euros, o valor mais elevado de sempre. O aumento acompanha uma tendência que se verifica desde o início de Janeiro, e a perspectiva, dada a instabilidade no Médio Oriente e os efeitos no preço dos combustíveis, é que a subida não pare.
A monitorização semanal do cabaz de bens alimentares feitos pela Deco Proteste mostra que a lista de 63 alimentos essenciais está, nesta altura, quase 13 euros mais cara do que na primeira semana do ano, um aumento de 5,2%.
O encarecimento das compras este ano já era antecipado pelo sector de distribuição em Dezembro de 2025 – ainda antes das tempestades que arrasaram o centro do país e do eclodir da guerra no Médio Oriente. Por essa altura, Gonçalo Lobo Xavier, director-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que agrupa as principais cadeias de hiper e supermercados, dizia ser “inevitável” haver aumentos “na ordem dos 7%” para 2026 na carne e no peixe, com “pressão enorme” em várias outras áreas: frutas e legumes, cacau, café.
O responsável justificava a subida com a pressão regulatória e climática sobre as matérias-primas, os custos com a gestão da água e o crescimento da procura por proteínas, entre outras razões apontadas.
O resultado está à vista: a monitorização semanal da Deco, iniciada em 2022 devido à subida de preços motivada pela invasão russa da Ucrânia, mostra um aumento constante do cabaz de produtos alimentares essenciais em 2026. Esta semana, a subida é de 7,37% face ao período homólogo de 2025. Se recuarmos até ao início deste acompanhamento da associação de defesa do consumidor, o cabaz alimentar está agora 35,5% mais caro – um aumento de 67 euros.
Para Nuno Pais de Figueiredo, porta-voz da Deco Proteste responsável por esta monitorização, o valor máximo atingido esta semana resulta de uma “cascata de acontecimentos”, que começou logo no arranque de 2026 com um salto súbito de sete euros da primeira para a segunda semana, para um custo do cabaz alimentar de 249,09 euros – até aí, o valor mais elevado.
Apesar do alerta da APED, a subida repentina foi registada “com alguma surpresa” pela Deco, disse o porta-voz ao PÚBLICO. Se a esse incremento juntarmos o mau tempo, que afectou regiões que abastecem “muito do nosso país de hortofrutícolas”, boa parte da situação actual fica explicada.
Efeito da guerra no Médio Oriente ainda vai agravar-se
A estes factores soma-se a guerra no Médio Oriente e consequente disrupção do fornecimento de combustíveis fósseis, com efeito directo nos custos de transporte e distribuição. Nuno Pais de Figueiredo acrescenta que o conflito pressiona o mercado das matérias-primas para fertilizantes, provenientes em boa parte dessa região.
“São muitas questões associadas que fazem disto uma cascata de acontecimentos que justifica o aumento dos preços”, resume. “O cenário não é animador”, admite o porta-voz da Deco, sublinhando que “nada leva a crer” que os preços baixem em breve.
Os combustíveis são grande factor de incerteza. Depois de três semanas consecutivas de subidas, os preços em Portugal devem manter-se estáveis na próxima semana, mas o impacto na economia é sempre desfasado e a inflação já é inevitável, incluindo na conta do supermercado. Até porque a estabilização acontece num patamar elevado de preços: de acordo com os dados da Direcção-Geral de Energia e Geologia, a gasolina e o gasóleo simples estão nos valores mais elevados desde Junho de 2022, o pico da crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia.
Como se poderá, assim, reduzir o impacto dos custos no bolso dos portugueses? Em 2023, como resposta ao aumento dos preços dos produtos alimentares essenciais, o Governo de António Costa implementou uma isenção do IVA para uma lista de produtos básicos. A medida tem sido, até agora, afastada pelo executivo de Luís Montenegro, que entre outras medidas vai apoiar a compra de combustíveis.
Nuno Pais de Figueiredo admite que o regresso do IVA zero poderia ter algum efeito, mas apenas existindo “uma monitorização rigorosa” por parte das entidades competentes. De outra forma, o impacto será “muito residual”, face às oscilações constantes que existem nas várias categorias de produtos. Além disso, a aplicação da isenção em 2023 não impediu que os preços atingissem agora valores recorde.
Nesse sentido, a Deco recomenda que os próprios consumidores tentem mitigar o aumento dos custos. Planear as aquisições com antecedência e optar por compras mensais em vez de semanais pode ajudar a reduzir o impacto da volatilidade dos preços. “Se for possível fazer compras mensais, o planeamento ajuda muito nas finanças”, diz o porta-voz. “Tentar planear os gastos de forma a não desperdiçar”, dentro do essencial.
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