Casa Branca utiliza imagens de videojogo em vídeo sobre o Irão

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A Casa Brinca publicou esta quarta-feira, em várias redes sociais, um vídeo sobre os ataques ao Irão no qual usa imagens de um videojogo.

A publicação em questão é uma compilação de ataques das forças norte-americanas contra alvos iranianos. No vídeo divulgado pela conta oficial da residência do Presidente dos Estados Unidos, os primeiros segundos são uma animação do vídeo jogo Call of Duty: Modern Warfare 3, ​de 2023.

O excerto utilizado é o da activação de um ataque nuclear numa partida multiplayer deste jogo, que os jogadores conseguem ao atingirem um certo número consecutivo de mortes. O restante vídeo mostra imagens reais de ataques norte-americanos, mas com outras animações do mesmo jogo editadas por cima dos clipes, como pontos conquistados por mortes ou um “minimapa” fictício no canto superior esquerdo da imagem, à semelhança da forma como a informação é tipicamente apresentada em Call of Duty. A publicação vem acompanhada da legenda “Courtesy of the Red, White & Blue” (cortesia de Vermelho, Branco e Azul, numa referência às cores da bandeira dos Estados Unidos e ao refrão de uma música de Toby Keith).

O vídeo, como muitos outros divulgados pelas contas oficiais ligadas à Administração Trump, tem sido amplamente criticado por uns (e, paralelamente, aplaudido por outros). Quem critica a publicação realça a banalização de temas sensíveis com uma comunicação pouco séria nas contas institucionais norte-americanas – neste caso, numa guerra que, para lá de milhares de vítimas devido aos ataques, também já vitimou militares norte-americanos. Outros apontam também a utilização das imagens de um videojogo com um grau de realismo que pode enganar utilizadores menos atentos.

A publicação não foge, no entanto, à estratégia de comunicação adoptada desde que Donald Trump regressou ao poder. Uma passagem rápida pela conta da Casa Branca na rede social X, antigo Twitter, permite ver que outras publicações de cariz semelhante também aproveitam excertos ou estilos de outros videojogos – um outro vídeo abre com um clipe famoso no mundo cibernético do jogo Grand Theft Auto: San Andreas, por exemplo.

Os vídeos controversos multiplicam-se, mas esta não é a primeira publicação de contas geridas pela Administração Trump que causam polémica. Em Fevereiro de 2025, a mesma conta partilhou um vídeo com imigrantes a entrarem num voo de deportação com a legenda “ASMR: Voo de Deportação de Estrangeiros Ilegais”, com a referência aos populares vídeos que inundam a Internet com sons alegadamente relaxantes e satisfatórios, servindo de som de fundo a imagens da deportação de imigrantes.

A utilização de imagens de um videojogo de guerra em vídeos sobre o conflito tem também sido feita por várias contas de disseminação de desinformação. Poucas horas depois dos primeiros ataques israelitas e norte-americanos, várias redes de bots partilharam excertos de cenários fictícios de guerra e de simuladores de voo.

Nas várias respostas ao vídeo desta quarta-feira destaca-se a de Chance Glasco, um dos fundadores da série de jogos Call of Duty. O consultor da indústria de videojogos revelou que, aquando da entrada da editora de videojogos Activision na versão de 2023 do jogo Modern Warfare 3, originalmente publicado em 2011, houve uma “pressão muito estranha” por parte da empresa para que o novo jogo fosse sobre “o Irão atacar Israel”, fugindo à regra de jogos anteriores da série.

“Felizmente, a grande maioria dos nossos programadores ficou revoltada com a ideia e ela foi rejeitada”, escreveu Glasco na publicação.

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