CGD volta a bater recorde nos lucros e distribui maior dividendo da história: 1,25 mil milhões

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É um lucro nunca visto na banca portuguesa: um dia depois de o Banco Comercial Português anunciar pela primeira vez um lucro superior a mil milhões de euros quando marcou os 40 anos, esta quinta-feira foi a vez de a Caixa Geral de Depósitos apresentar um resultado próximo de dois mil milhões de euros em 2025, no seu 150.º aniversário. É um valor que permitirá ao banco público distribuir, mais uma vez, dividendos inéditos, de 1,2 mil milhões de euros.

Este resultado de 1,9 mil milhões de euros é um recorde de lucros em cima de recordes anteriores que o banco público vinha registando: em 2024, o lucro tinha sido de 1,7 mil milhões de euros, um ano antes fora de 1,3 mil milhões de euros.

Muitos destes recordes foram conseguidos pela cobrança de juros nos créditos dos clientes após a subida das taxas determinada pelo Banco Central Europeu (BCE) em 2022 e em 2023, em resposta à inflação abrupta então registada. Em 2025, mesmo com esse impacto já a desvanecer-se, houve outros factores a dinamizar os resultados anuais da CGD, como a venda da participação na Águas de Portugal, pela qual recebeu 375 milhões de euros, que gerou uma mais-valia de 188 milhões.

Os lucros máximos de bancos comerciais como a CGD e o BCP evoluíram em contraste com os dos bancos centrais, como o Banco Central Europeu que, em 2025, apresentou prejuízos pelo terceiro ano consecutivo.

Paulo Macedo anunciou a distribuição de 66% dos lucros obtidos pelo accionista Estado, o que dará um dividendo de 1,25 mil milhões de euros. No ano anterior, o dividendo pago foi de 850 milhões de euros. São dois terços dos lucros distribuídos, segundo frisou o presidente executivo na apresentação de resultados que teve lugar esta quinta-feira, 26 de Fevereiro, na sede, em Lisboa.

Moçambique prejudica actividade internacional

O resultado da Caixa foi obtido sobretudo devido à operação em Portugal. “A actividade doméstica contribuiu com 1,8 mil milhões de euros para o resultado líquido consolidado”. No ano anterior, o contributo tinha-se ficado pelos 1,5 mil milhões de euros.

Já a actividade internacional prejudicou as contas: acrescentou 110 milhões às contas, quase metade do contributo dado em 2024. “O BNU Macau, que contribuiu com 53 milhões de euros, o BCG Angola, com 18 milhões de euros, e a Sucursal de França, com 12 milhões de euros”, foram os principais exemplos. Já Moçambique obrigou ao reconhecimento de perdas de 145 milhões de euros devido à redução da classificação da dívida do país.

Caixa beneficia com Águas de Portugal e adicional de solidariedade

A mais-valia obtida com a venda da posição de 19% na Águas de Portugal rendeu 188 milhões de euros, o que justificou a diferença de resultados entre 2025 e 2024. Este ganho extraordinário – pago pela Parpública, uma empresa estatal – compensou a evolução negativa de rubricas do negócio bancário.

Não foi o único ponto positivo nos resultados: tal como os restantes bancos, a devolução da contribuição designada de adicional de solidariedade, que foi declarada inconstitucional, ajudou às contas, com a entrega de 29 milhões de euros.

Menos imparidades, menos receitas com juros dos créditos

Do ponto de vista de resultados, a permitir a subida dos resultados esteve a rubrica de provisões e imparidades, porque o banco conseguiu ir a essas “gavetas” anteriormente preenchidas, que o banco justifica com “a melhoria do cenário macroeconómico” e com a sua gestão do risco de crédito. Já tinha acontecido em 2024, mas no ano passado ocorreu em muito maior peso.

Em relação a proveitos, também houve mais comissões bancárias no ano passado, mas tanto Paulo Macedo como António Valente, o administrador com o pelouro financeiro, sublinharam que a tabela de preços não foi agravada: mas como há mais volume de negócios, há mais receita pelos serviços prestados.

Ao invés, a principal fonte de receita da banca, a margem financeira (obtida pela diferença entre juros cobrados em créditos e juros pagos em depósitos) recuou 10% face ao período homólogo. O banco pública justifica com a quebra das taxas de juro do BCE (o que reduz os juros cobrados nos créditos), mas diz que evitou uma diminuição mais brusca devido à carteira de títulos de dívida que geram juros.

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