Chefe do Centro de Contraterrorismo dos EUA renuncia ao cargo em protesto contra guerra no Irão

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Joe Kent, o principal responsável da Administração Trump para o combate ao terrorismo, anunciou nesta terça-feira que renunciou ao cargo de director do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA por “não poder apoiar a guerra em curso no Irão”. Kent torna-se, assim, no primeiro membro da Administração Trump a renunciar ao cargo por causa do conflito em curso.

Na carta de demissão endereçada a Donald Trump, que divulgou nas suas várias redes sociais, Kent não poupou as críticas ao Presidente norte-americano, que acusou de “iniciar uma guerra sob pressão de Israel, apesar de o Irão não representar “nenhuma ameaça iminente” aos EUA. “Depois de muita reflexão, decidi renunciar ao meu cargo de Director do Centro Nacional de Contraterrorismo, com efeito imediato”, começa por escrever o responsável, que foi escolhido por Trump para o cargo.

Kent, de 45 anos, veterano das forças especiais norte-americanas e da CIA, era casado com Shannon Kent, técnica em criptografia da Marinha norte-americana que foi morta num atentado suicida na Síria, em 2019, numa guerra, como acusa, “fabricada por Israel”.

Como “veterano que serviu em combate 11 vezes” e militar condecorado com a Estrela de Ouro, concedida a familiares de membros das forças armadas que morreram em combate, Kent, que recordou que Trump fez campanha com a frase America First (A América Primeiro), afirmou ainda não poder “apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer numa guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas americanas.”

“Apoio os valores e as políticas externas que defendeu durante as campanhas de 2016, 2020 e 2024, e que implementou no seu primeiro mandato. Até Junho de 2025, entendia que as guerras no Médio Oriente eram uma armadilha que roubava aos Estados Unidos as preciosas vidas dos nossos patriotas e esgotava a riqueza e a prosperidade da nossa nação”, referiu o director demissionário.

Kent deixa outra crítica a Trump ao referir que, no seu primeiro mandato, entendia melhor que “qualquer outro Presidente como aplicar poder militar” sem arrastar os EUA para “guerras sem fim”. O director demissionário acusou também altos responsáveis israelitas de orquestrarem “uma campanha de desinformação” para justificar a ofensiva contra o Irão, “a mesma táctica que os israelitas usaram” para arrastar os Estados Unidos para a “desastrosa guerra do Iraque”.

Segundo escreve o Axios, Kent também trabalhou de forma próxima com a antiga congressista democrata Tulsi Gabbard, que rompeu com o seu partido em 2022, e que foi escolhida por Trump para o cargo de Directora Nacional de Inteligência, ficando encarregue de coordenar o trabalho de múltiplas agências norte-americanas como a CIA e a NSA. Gabbard tem mantido um perfil discreto desde o início da guerra com o Irão e ainda não reagiu publicamente à renúncia de Kent.

A agência Reuters escreve que os serviços secretos norte-americanos foram apanhados de surpresa pela notícia.

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