Chico Chico se apresentará em Portugal, na sua primeira turnê europeia

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A palavra que melhor define Chico Chico, além de talento, é autenticidade. Da cozinha de sua casa em Santa Teresa, bairro boêmio do Rio de Janeiro, ele abre uma garrafa térmica de café, enche o copo, daqueles de vidro usados em botecos cariocas, e acende um cigarro para conversar por videochamada com o PÚBLICO Brasil. O cantor e compositor carioca de 32 anos, filho de Cássia Eller (1962-2001), parece estar muito à vontade, assim como se apresenta nos seus shows, mas admite que a timidez na hora de dar entrevistas ainda o pega de jeito.

“É muito difícil para mim, porque não é muito a minha praia ficar falando da minha vida. Mas é legal também. Estou entendendo que faz parte do meu trabalho”, pondera ele, que não fugiu a nenhum assunto, como dependência química e a morte de sua mãe.

Porém, é só falar da primeira turnê europeia da sua carreira, que passará por Portugal, em novembro e dezembro deste ano, que ele vai se soltando aos poucos. A apresentação de Let it Burn — Deixa Arder (Deck), nome de seu terceiro álbum solo, começará por Roterdã (19/11) e Amsterdã (20), na Holanda. Já a última cidade da turnê, que ainda inclui Paris (21), Berlim (22), Londres (24), Dublin (25) e Zurich (28), será Barcelona (08/12).

Em território luso, o artista subirá ao palco em quatro cidades: Porto (30/11), Ovar (03/12), Lisboa (05/12) e Braga (07/12). Ele confessa que só conhece o Porto, numa viagem feita há 17 anos. “Não conheço nenhuma outra. Estou até tirando um novo passaporte”, diz.

Sobre a expectativa de se apresentar para o público europeu, ele garante que não pensa muito nisso. “Estou animado para viajar e tocar. Mas é uma expectativa que é parecida com a de cantar no Brasil. Porque eu quero fazer o meu show, independentemente do lugar”, afirma.

Em Let it Burn — Deixa Arder, o cantor se apresentará com Pedro Fonseca (teclado) e Tiaguinho Silva (bateria). “Eles tocam pra caramba. Eu acho que vai ser legal. Vamos mostrar um pouco das coisas que a gente já vem fazendo nos shows, com músicas minhas e músicas que a gente gosta”, avisa Chico Chico. No repertório, canções como Tanto Pra Dizer, Two Mother’s Blues, Lugarzinho e Vila do Sossego (Zé Ramalho) farão parte do setllist.

Menino Bonito também. Ele concorda que o fato de o vídeo em que canta a música de Rita Lee (1947-2023) ter viralizado, deu um empurrão a mais na sua carreira. Ele gravou um single com a releitura da canção da Rainha do Rock Brasileiro no ano passado.

“Acho que ajudou bastante. Apesar de eu já estar cantando há bastante tempo, foi um ponto de virada, com certeza”, avalia ele, que é totalmente avesso à fama. “Minha rotina continua a mesma e não quero mudar nada. Nem sou tão conhecido assim. Acho também que o mundo mudou um pouco nesse aspecto. Hoje, as coisas são mais nichadas. Não existe mais um Roberto Carlos, um cantor das massas”, ressalta.

Sobre ser indicado duas vezes ao Grammy Latino, em 2021, com a música A Cidade, na categoria de Melhor Canção em Língua Portuguesa, e, no ano seguinte, com o álbum Pomares, na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, Chico Chico não esnoba nem se envaidece com a premiação. “É maneiro. Nunca imaginei que fosse acontecer uma coisa assim. Não muda o trabalho, mas é legal”, resume.

Camisa do Vasco e chinelo

Nos espetáculo, ele sempre aparece em cena da maneira mais descontraída possível: camisa, geralmente do Vasco, seu time, bermuda e chinelo. O figurino, afirma, só mudará na turnê se estiver fazendo muito frio na Europa. “Eu gosto de estar confortável nos shows e no meu dia a dia. Esse é o jeito que eu estou vestido agora, por exemplo. Então, acho que vai ser por aí [figurino], sim. Mas também não varia muito”, brinca ele, que vai encher a mala com roupas da torcida do Estádio de São Januário, na Zona Norte carioca. “Tenho que representar o meu time”, frisa.

Chico Chico conta que, quando era criança, pensou em ser jogador de futebol, mas acabou fazendo faculdade de Geografia na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. “Eu não me formei, apesar de ter estudado lá de 2013 a 2018. E não foi causa da música. Se eu fosse um aluno mais aplicado, poderia ter me formado, mas não é o meu caso”, entrega. E por que Geografia? “Porque eu passei”, reage, às gargalhadas. “Mas eu gostei muito do curso, só que a vida acadêmica não me conquistou”, destaca.

Filho único da cantora Cássia Eller, que faleceu aos 39 anos, no auge da sua carreira, após um ataque cardíaco, e do baixista Tavinho Fialho (1960-1993), Francisco Ribeiro Eller revela que falar sobre a mãe já o deixou mais desconfortável. Hoje, ele afirma que lida melhor com o seu sobrenome. “Eu me sentia assim, porque não sabia muito bem como lidar com isso. Mas entendi que até me encontrar, não que eu tenha me encontrado, mas até entender o que eu sou e qual é a expectativa do outro, levou algum tempo”, diz.

Dependência química

Chico Chico, após frequentar um centro de tratamento para dependentes químicos, no ano passado, comenta que “já saiu do tratamento”. E se emociona ao falar dos noves meses que passou lá. “Foi uma experiência bem maluca e para os dois lados, o bom e o ruim. Porém, o mais interessante foi ver os outros, essa coisa de enxergar o outro. Sempre me emociona, me impacta falar disso. Porque a tristeza e a solidão do adicto, a dor do adicto, ele acha que é a maior do mundo e ninguém o compreende. No centro, eu vi que todo mundo tem isso. A sua dor ganha outra perspectiva e você consegue ter alguma clareza sobre o porquê dela”, analisa.

E ele complementa: “Porque, para o adicto, pelo que eu entendi, a droga é um sintoma da doença, que é a compulsão. E a compulsão nasce de traumas, de problemas seus consigo mesmo. Eu descontava muita coisa nas drogas, mas não acho que a cura do mundo é se livrar delas. Durante os nove meses, tive recaídas. Agora, por exemplo, eu voltei a beber. Mas o mais interessante eram as rodas de discussão, as coisas que você aprende ouvindo e falando nesses centros. A cura pela palavra é muito interessante, ainda mais para mim que trabalho com a palavra”.

Depois da turnê europeia, em 2027, Chico Chico já tem uma agenda de shows confirmada no Circo Voador, na Lapa, no Rio, com a participação do cantor português António Zambujo, e no Audio, em São Paulo.

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