Chumbo automático na inspecção automóvel para quem ignorar alertas de segurança das marcas

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O calendário não engana: a partir deste domingo, dia 1 de Março, os centros de inspecção técnica de veículos passam a reprovar automaticamente os automóveis que tenham acções de recolha pendentes, os chamados “recalls”. A medida, confirmada pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), visa garantir que falhas de segurança detectadas pelos fabricantes são efectivamente corrigidas.

Até ao momento, a existência de um “recall” em aberto não impedia a circulação nem a aprovação na inspecção periódica, embora representasse um risco real para quem segue a bordo e para terceiros. Com a nova regulamentação, a detecção de uma campanha de segurança por realizar implica uma anotação de “grau 2”, o que obriga à reparação e a uma posterior reinspecção, com os inerentes custos logísticos e financeiros para os proprietários.

Para evitar estes contratempos, o IMT recomenda a consulta da plataforma “Recall”, uma ferramenta desenvolvida pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) com o apoio da Direcção-Geral do Consumidor. Disponível no endereço recall.motordata.pt, o portal permite verificar, através da matrícula ou do número de identificação do veículo (VIN), se o automóvel é visado por alguma campanha activa. Convém salientar que estas intervenções são sempre gratuitas, independentemente da idade do veículo ou da garantia, sendo os custos totalmente suportados pelas marcas.

O desafio de encontrar os proprietários

Um dos grandes obstáculos à eficácia destas campanhas de segurança reside na dificuldade de localização dos actuais donos dos veículos. Segundo apurámos, mais de uma em cada cinco cartas registadas enviadas não chega ao destino devido a falhas na actualização de dados. Naturalmente, as marcas tentam outros meios de contacto, como o telefone ou email. Mas a dificuldade de chegar ao proprietário do veículo é particularmente visível no mercado de usados, onde a venda de viaturas nem sempre é acompanhada pela actualização de moradas ou de contactos junto das bases de dados oficiais.

Jorge Magalhães, director de comunicação da Stellantis Portugal — que representa marcas como a Peugeot, Opel ou Fiat —, explica que a empresa mobiliza vastos recursos para proteger os clientes, enviando cartas de correio simples e registado em intervalos de três meses. No caso dos airbags da Takata, que afectaram diversos construtores, a Stellantis conseguiu substituir os componentes em 83% dos veículos em Portugal, um número considerável atendendo a que muitos têm mais de dez anos.

Contudo, persistem casos difíceis. Jorge Magalhães aponta a existência de automóveis que já não circulam ou cujos donos não actualizaram os dados no Instituto dos Registos e do Notariado (IRN). Nestas situações, as marcas reforçam a comunicação através de painéis publicitários, imprensa, rádio e meios digitais, numa tentativa de chegar a quem escapa aos canais tradicionais.

Digitalização e novos processos

A modernização dos veículos tem aberto novas portas para esta comunicação. João Trincheiras, director de comunicação corporativa da BMW, refere que a forma mais rápida de contactar os clientes é agora através de notificações directas para a viatura ou via aplicações móveis, como a MyBMW ou a MINI App. Para os modelos mais antigos, onde esta tecnologia não está presente, o recurso aos meios tradicionais e à rede oficial de reparadores continua a ser fundamental.

Existe também um esforço de coordenação diária entre as marcas e as autoridades. A Stellantis, por exemplo, comunica diariamente ao IMT a listagem de matrículas que efectuaram as reparações, garantindo que a informação chega aos centros de inspecção em tempo útil.

Ainda assim, convém não deixar a reparação para a véspera da ida ao centro de inspecção. João Trincheiras sugere que os proprietários planeiem alguns dias de margem entre a acção técnica e a deslocação à IPO, para garantir que o sistema informático do IMT já reflecte a actualização e evitar qualquer inconveniente desnecessário no momento da verificação obrigatória.

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