Cinco jogadoras iranianas conseguem asilo na Austrália: “Devem sentir-se em casa”

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A Austrália anunciou nesta segunda-feira, 9 de Março, que concedeu vistos de asilo a cinco jogadoras da selecção nacional de futebol feminina do Irão, para que as atletas possam permanecer no país, depois de terem solicitado ajuda por temerem represálias no seu país natal. “Estão seguras aqui e devem sentir-se em casa”, afirmou o ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, estendendo a oportunidade às restantes jogadoras que permanecem na Austrália com a comitiva iraniana.

O ministro do Interior australiano, Tony Burke, confirmou na noite desta segunda-feira, manhã de terça-feira em Sydney, que os vistos de asilo temporário foram emitidos pelo Governo australiano, e o novo estatuto permite que as cidadãs iranianas procurem adquirir vistos de residência permanentes, nota o Guardian.

Antecipava-se um anúncio oficial desde que Donald Trump, que tinha inicialmente criticado a postura australiana nesta “situação delicada”, avançou que o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, estava “a tratar do assunto”, escreveu o Presidente dos EUA na sua Truth Social.

A presença no torneio fez crescer o medo de represálias caso as atletas voltassem ao seu país natal após a equipa ter recusado cantar o hino nacional na primeira partida da competição — protesto que não se repetiu nos dois jogos seguintes. A FIFPRO, responsável pelas associações de futebolistas profissionais, afirmou que existem sérias preocupações quanto ao bem-estar da selecção iraniana, depois de terem sido rotuladas como “traidoras em tempo de guerra” no Irão pela manifestação durante o hino.

A selecção feminina de futebol do Irão chegou à Austrália para disputar a Taça da Ásia, competição que ainda decorre, tendo sido eliminada na fase de grupos. As cinco jogadoras terão sido ajudadas pelas autoridades australianas a escapar do hotel onde eram supervisionadas pela restante comitiva.

Fontes do Governo da Austrália desvalorizaram as notícias que indicavam que as jogadoras teriam “escapado” do hotel auxiliadas pelas autoridades australianas, afirmando que as jogadoras deram o primeiro passo ao manifestar vontade de falar com o Governo, reporta o Guardian.

Após esse primeiro contacto, Burke explicou que as atletas foram levadas “para um local seguro” pela polícia federal australiana e que a agência de segurança Asio deu autorização para que lá permanecessem.

“São bem-vindas na Austrália”

“São bem-vindas na Austrália” e podem permanecer no país, avançou o ministro em conferência de imprensa. “Estão seguras aqui e devem sentir-se em casa”, acrescentou, dirigindo-se a Fatemeh Pasandideh, Zahra Ghanbari, Zahra Sarbali, Atefeh Ramazanzadeh e Mona Hamoudi, as cinco atletas que pediram asilo.

“Querem deixar claro que não são activistas políticas. São atletas que querem estar em segurança”, disse Burke, citado pela BBC, detalhando que as conversações decorriam há vários dias.

O ministro adiantou ainda que, nesta segunda-feira, “ficou claro que havia cinco mulheres que queriam poder permanecer na Austrália”, e aproveitou para abrir a porta às restantes jogadoras da selecção do Irão: “Estão numa situação terrivelmente difícil com as decisões que têm de tomar. Mas a oportunidade continuará a existir para falarem com responsáveis australianos, se assim o desejarem.”

No Irão, as jogadoras foram criticadas por não cantarem o hino, tendo sido mesmo apelidadas de “traidoras em tempo de guerra” por um comentador da televisão estatal iraniana. Presume-se que, mesmo que pretendam refugiar-se, algumas podem temer represálias às suas famílias.

Antes da confirmação do asilo, Craig Foster, ex-capitão da selecção australiana e activista no país, descreveu a situação à BBC: “Elas estão mantidas como reféns pela delegação iraniana e foram impedidas de falar com amigos, familiares ou qualquer rede de apoio, sejam advogados ou qualquer outra pessoa.”

“O que sabemos é que a maioria das jogadoras tem família no seu país e, mesmo que lhes seja oferecido o direito de permanecer na Austrália, muitas podem não aceitar essa oportunidade. Mas o mais importante é que essa oferta seja feita”, acrescentou, em declarações já citadas pelo PÚBLICO.

A Austrália já tinha concedido vistos humanitários de emergência a mais de 20 membros da selecção feminina de críquete do Afeganistão, depois de os taliban retomarem o poder em 2021, recorda a Reuters.

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