
O novo Renault Twingo chega com a ambição de recuperar uma virtude rara no segmento dos citadinos: fazer sorrir. Num mercado cada vez mais dominado por números, autonomia e racionalidade, a Renault parece querer devolver ao automóvel urbano uma dimensão lúdica, sem abdicar da eficiência eléctrica. O resultado é um modelo que aposta na simpatia do desenho, na agilidade de utilização e numa lista de soluções inteligentes, embora não consiga escapar a uma limitação importante: a bateria é pequena e a autonomia, por isso, curta.
O novo Twingo parece recuperar a lógica do original, a de um carro pequeno nas dimensões (mede 3789mm de comprimento), mas grande na capacidade de criar empatia. O desenho reforça essa mensagem, com linhas simpáticas, proporções compactas e pormenores visuais que sugerem energia e bom humor ajudam o modelo a fugir à austeridade que muitas vezes domina o universo dos eléctricos de entrada de gama.
No interior, a Renault apresenta uma abordagem igualmente inteligente. O habitáculo mistura referências ao modelo original com tecnologia actual, incluindo painel digital e ecrã central para a conectividade e infoentretenimento, mantendo (felizmente) botões físicos para a climatização. Entre os elementos mais interessantes estão os bancos com desenhos inspirados no Twingo original ou os bancos traseiros que rebatem na proporção de 50:50 (o do passageiro dianteiro também rebate para transporte de objectos compridos) e podem ser ajustados longitudinalmente, o que reforça a modularidade e ajuda o modelo a adaptar-se melhor a diferentes necessidades: a mala pode arrumar de 205 a 305 litros, com os quatro lugares ocupados; sem passageiros traseiros, há espaço para 966 litros.
Thomas Cortesi
Thomas Cortesi
A Renault também introduz detalhes que mostram atenção ao uso diário, como a possibilidade de instalar uma consola central que mais não é do que uma bolsa em tecido, onde se pode guardar objectos, mas também usar para descansar o braço.
A condução é outro dos pontos centrais da proposta. O novo Twingo foi concebido para ser expedito no trânsito urbano, ágil nas manobras e fácil de conduzir em contextos de circulação intensa, com uma resposta imediata ao acelerador, suavidade mecânica, baixas vibrações e uma sensação de deslocação simples, sem esforço. E essa condução expedita não depende apenas da motorização eléctrica, mas também da forma como o carro foi pensado em termos de arquitectura (assenta na mesma plataforma que os maiores R4 e R5) e ergonomia.
No nosso caso, que colocámos o Twingo à prova pelas curvas de Ibiza e em vias rápidas, pudemos perceber que a potência de 60 kW (82cv), apoiada por um binário de 175 Nm, é mais do que suficiente para imprimir ritmo e confiança, com uma aceleração de 0 a 100 km/h em 12,1 segundos e uma velocidade máxima de 130 km/h. E depressa concluímos que, apesar de se tratar de um citadino, o modelo é capaz de enfrentar qualquer tipo de traçado com competência. O que, por um lado, é um ponto positivo, mas que deixa um amargo de boca pela curta autonomia.
Thomas Cortesi
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Com uma bateria de fosfato de ferro e lítio com 27,5 kWh de capacidade útil, a autonomia anunciada em ciclo misto é de 261 quilómetros, pouco convidativa a grandes viagens, mesmo que o carregamento seja possível até 50 kW, o que na prática significa que se recupera até 80% da carga em cerca de meia hora. É certo que esta opção da Renault permitiu-lhe controlar custos, com o automóvel a ser proposto desde 19.490 euros, IVA incluído, mas para quem ainda sofre de alguma ansiedade com os eléctricos poderá vir a ser um travão psicológico importante.
Ainda assim, há mérito na coerência da proposta. O novo Twingo, que deverá começar a chegar em Maio, não tenta ser tudo para todos. Quer ser um automóvel urbano honesto, divertido e eficiente no contexto para o qual foi criado. E isso, por si só, já representa uma virtude num mercado por vezes tentado pelo excesso. A bateria limitada impede que o modelo seja uma solução universal, mas não apaga o valor daquilo que oferece: personalidade, agilidade e uma funcionalidade que poucos rivais conseguem combinar com tanta naturalidade.
Thomas Cortesi
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