O novo presidente-executivo (CEO) da Porsche AG, Michael Leiters, planeia cortar mais empregos na fabricante alemã de automóveis de luxo e adicionar modelos posicionados acima do 911 para aumentar os lucros.
As medidas têm como objectivo contrariar as tarifas e a dispendiosa reformulação da estratégia excessivamente ambiciosa da Porsche em relação aos veículos eléctricos. A fabricante espera que a receita diminua ligeiramente ao longo deste ano devido a outra queda nas vendas na China, onde os fabricantes locais estão a entrar no segmento de luxo.
“A racionalização da empresa precisa de ser aprimorada e isso levará a mais reduções de postos de trabalho”, disse Leiters na quarta-feira, acrescentando que a Porsche apresentará mais detalhes no Outono.
O director-executivo, que substituiu Oliver Blume em Janeiro, procura recuperar o desempenho após um ano difícil. A fabricante de automóveis saiu do índice de referência alemão DAX em 2025, depois de ter reduzido quatro vezes as suas previsões, medidas que também afectaram a Volkswagen AG. A empresa-mãe da Porsche alertou na terça-feira que são necessárias mais poupanças para lidar com a concorrência crescente.
Os investimentos da Porsche atingirão o pico este ano e depois diminuirão gradualmente, à medida que a empresa reduzir as despesas com investigação e desenvolvimento, incluindo em veículos eléctricos. Fabricantes de automóveis como a Porsche, a Mercedes-Benz Group AG e a BMW AG fizeram a maior parte dos seus investimentos em transmissões exclusivamente a bateria e estão agora a adicionar mais modelos híbridos.
As acções da Porsche caíram cerca de 17% desde o início do ano.
A empresa prevê que a sua margem operacional atinja pelo menos 5,5% este ano, uma melhoria em relação aos 1,1% do ano passado, quando os direitos aduaneiros dos EUA e cerca de 2,4 mil milhões de euros em encargos relacionados com a sua estratégia de veículos eléctricos pesaram no resultado. A empresa afirmou anteriormente que espera melhorias em 2026, após o ponto baixo do ano passado.
Para alcançar esse objectivo, a Porsche irá reduzir os níveis de gestão, bem como as hierarquias, afirmou na quarta-feira. O fabricante está a analisar modelos e derivados posicionados acima dos seus carros desportivos de duas portas e do veículo utilitário desportivo Cayenne para sustentar as margens.
Espera-se que Leiters envolva os líderes sindicais em discussões sobre novas poupanças nos próximos meses. A Porsche concordou anteriormente em reduzir o número de funcionários em cerca de 3900 pessoas até ao final da década, incluindo dois mil trabalhadores temporários. Actualmente, emprega cerca de 40 mil pessoas.
A empresa espera que as suas vendas na China caiam quase um terço neste ano, para cerca de 30 mil unidades, à medida que a concorrência se intensifica. Isso segue uma queda de 26% nas entregas no país no ano passado.
A desaceleração económica do país afectou consumidores de todas as faixas de rendimento, com uma crise imobiliária prolongada a pesar sobre os gastos com artigos de luxo. A Porsche tem vindo a reduzir a sua rede de concessionários no país e está a trabalhar para oferecer software para automóveis que melhor se adapte aos gostos locais.
Outro grande desafio é a presença da Porsche nos EUA, o seu maior mercado para particulares. A empresa importa todos os carros que vende nesse país, com os direitos aduaneiros do Presidente Donald Trump a custarem à Porsche cerca de 700 milhões de euros em 2025. A produção local não está actualmente em discussão, disse o CEO.
A Porsche está a propor um dividendo de um euro por acção ordinária e 1,01 euros por acção preferencial, menos de metade do que pagou no ano passado.
As dificuldades da empresa forçaram-na a tomar medidas drásticas, arquivando ou adiando os veículos eléctricos e adicionando mais modelos com motores de combustão e híbridos. A construtora também trocou a maioria dos membros do seu conselho de administração.
Medidas adicionais de poupança vão afectar a estrutura de custos “inflacionada” do fabricante de forma transversal, desde a variedade de modelos até às despesas com materiais e produção, disse Leiters, que declarou: “Quero tornar a Porsche à prova de crises.”
Exclusivo PÚBLICO/Bloomberg
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