Conferência 36 anos do PÚBLICO: “A desconexão entre natureza e cidade deteriora as condições de vida”

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A arquitectura como forma de dialogar com o clima. Foi esta a principal mensagem deixada por Fernando de Mello Franco, arquitecto e urbanista brasileiro,​ na abertura da conferência “A Minha Casa”, organizada pelo PÚBLICO na ocasião do seu 36.º aniversário que se assinala quinta-feira. O especialista, orador principal, defendeu uma maior consciência colectiva de que a Terra é a nossa única casa e que todos os lugares do mundo estão interligados. Nesse sentido, classificou o urbanismo contemporâneo como “violento” e alertou para uma crescente desconexão. “A desconexão entre natureza e cidade deteriora as condições de vida.”

Recorrendo a exemplos como São Paulo, onde cresceu, e países como a China, o consultor de desenvolvimento urbano​ criticou a lógica destrutiva de muitos processos urbanísticos, em que “se destroem florestas para construir prédios”, colocando o betão à frente da natureza. Comparou ainda a gestão das cidades a uma alimentação “rica em gorduras saturadas”: um modelo aparentemente eficiente, mas prejudicial a longo prazo. Segundo afirmou, as elites já terão perdido “o interesse em partilhar o mundo com os outros”, preferindo afastar-se dos problemas em vez de transformar o sistema.

Como alternativa, propôs um regresso à criação de laços verdadeiros com o lugar onde se vive, “através dos quintais”. Para o director associado do Instituto ZeroCem, o quintal “é um espaço de encontro intergeracional, onde coexistem lazer e produção”, permitindo a “construção de afectos e de revinculação”. Acredita que estes pequenos espaços podem desempenhar um papel essencial na recuperação da ligação à Terra e na aprendizagem de uma forma mais saudável e solidária de habitar o planeta.

Neste 4 de Março, véspera do seu 36º aniversário, o PÚBLICO dedica a conferência “A Minha Casa” ao tema da habitação. O encontro decorre na Casa da Arquitectura, em Matosinhos e procura desafiar a audiência a pensar no “futuro da nossa casa”. O primeiro painel reflecte sobre “As Casas que Temos, as Casas que Queremos”, seguido do tópico “A minha casa é a cidade”. As mesas de discussão terminam com um debate centrado nas políticas nacionais de habitação. A conferência encerra com a intervenção de Patrícia Gonçalves Costa, secretária de Estado da Habitação.

Antes, no arranque da conferência, Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos, defendeu que tem havido “muitos esforços”, “muito dinheiro disponível” e “ainda assim o país não está ser capaz de responder” à crise na habitação.


Texto editado por Marta Moitinho Oliveira

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