Consumo de drogas desce em Lisboa e no Porto e aumenta em Almada

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A análise das águas residuais de Lisboa demonstra que houve uma diminuição do consumo de drogas ilícitas entre 2024 e 2025. O que é mais relevante nos dados, revelados esta quarta-feira, é a descida acentuada da utilização de MDMA na cidade, quando, no ano anterior, Lisboa estava entre as dez cidades europeias com consumos mais elevados desta substância nos fins-de-semana.

O cenário é idêntico no Porto, com a excepção de um ligeiro aumento da presença da cetamina nas águas residuais. Ainda assim, aquela que já foi uma das cidades da Europa com consumos mais intensos de cocaína, em 2023, apresenta agora indicadores abaixo da média europeia.

Segundo o estudo Wastewater analysis and drugs – a European multi-city study, da organização SCORE, em colaboração com a Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA, na sigla em inglês), o consumo de substâncias ilícitas desceu em Lisboa e no Porto, mas aumentou em Almada, a terceira cidade nacional abrangida. A cidade da Margem Sul registou subidas quanto ao consumo de cocaína, anfetaminas e MDMA e ultrapassou o Porto no consumo de todas estas drogas ilícitas.

A diminuição da presença de MDMA é comum a 60% das 78 cidades dos 25 países (23 da União Europeia, Noruega e Turquia), com dados comparáveis entre 2024 e 2025, um universo de 72 milhões de pessoas, incluídas nas análises das amostras diárias das águas residuais. Com o objectivo de detectar vestígios de anfetaminas, metanfetaminas cocaína, MDMA, cetamina e cannabis, as amostras foram recolhidas, numa semana, entre Março e Maio do ano passado. As catinonas (quimicamente semelhantes às anfetaminas) ficaram de fora, por falta de metodologia laboratorial.

João Matias, analista científico da EUDA, observa que a descida de vestígios de MDMA (princípio activo do ecstasy) pode dever-se a um conjunto de factores: “Mudança de padrões de consumo, possível menor poder de compra ou menor frequência de contextos recreativos.” João Matias acrescenta que a substituição de MDMA por cetamina (ou ketamina) e catinonas tem vindo a ser referida em vários relatórios, e que o facto de estarem acessíveis e baratas, terem efeitos mais rápidos e implicarem intervalos mais curtos de dosagem, ajudam a compreender a alteração. A descida (de 16%) foi mais evidente em cidades da Alemanha, Áustria e Eslovénia, e foi superior à registada durante a covid-19, quando a vida nocturna estava praticamente suspensa.

Mais cetamina, mais coca

Ao contrário do MDMA, de produção europeia e exportada para outros continentes, o consumo de cetamina e de cocaína aumentou no período em análise. No primeiro caso, João Matias refere que a sua utilização é reduzida na população em geral, mas que o seu consumo problemático já levou à criação de clínicas de tratamento específicas para este tipo de abuso no Reino Unido, mais frequente entre jovens, que a tomam de foram regular, com efeitos urológicos graves. O seu maior uso pode ser explicado por uma “maior disponibilidade e preferências daqueles que usam drogas, diminuição da percepção de risco” a seu respeito, e por se tratar de um “fármaco”.

A presença de cetamina nas águas residuais europeias aumentou quase 41% nas cidades que comunicaram dados de 2024 e 2025. Bélgica, Alemanha e Países Baixos são os países de maior consumo na União Europeia. Embora menos do que a cetamina, as cargas de cocaína nas águas residuais aumentaram quase 22% e a detecção foi mais elevada na Bélgica, Espanha e Países Baixos.

Se falarmos de anfetaminas, os níveis mais elevados estão, como habitualmente, no Norte e Centro da Europa, e não foram encontradas em Lisboa, Porto e Almada. A ingestão de metanfetaminas é mais regular em cidades da Chéquia e Eslováquia, embora o seu crescimento tenha sido observado no Centro e Norte da Europa, com níveis mais elevados na Austrália, Canadá e EUA, com os quais o SCORE compara os dados, uma vez que é uma organização com trabalho epidemiológico de recolha em águas residuais em países de diferentes continentes.

O consumo da droga ilícita mais consumida na Europa, a cannabis, com uma estimativa de 24 milhões de utilizadores no ano passado, aparenta estar constante: 33% das 63 cidades analisadas registaram um aumento, 44% uma descida e 22% uma estabilização. Os padrões de consumo de drogas ilícitas são, regra geral, os mesmos nas pequenas e nas grandes cidades, e é no Norte e Centro da Europa que esse consumo é mais elevado. O que dita as maiores diferenças é sempre uma questão de acesso e de contextos recreativos para a sua toma, mais frequentes nos meios urbanos mais populosos.

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