O Comité Olímpico de Portugal (COP) e o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) assinaram, esta terça-feira, em cooperação com a Comissão e Associação de Atletas Olímpicos, um protocolo de apoio a atletas em transição de carreira.
A formalização do protocolo que visa identificar qualidades dos atletas, desenvolver formações, acompanhar a integração no mercado de trabalho, aproveitar competências adquiridas durante o percurso desportivo e promover activamente a formação junto dos diversos atletas, decorreu numa cerimónia realizada na sede do COP, em Lisboa.
“Os atletas são a razão de ser deste protocolo. Desejo que todos os que tenham a ambição de estabelecer uma carreira dual encontrem aqui uma plataforma para se valorizarem e que facilite a integração no mercado profissional. É esse o objectivo. O atleta está no centro das nossas decisões”, referiu Fernando Gomes.
O presidente do COP frisou a intenção do organismo em preparar os atletas para o futuro, no final das respectivas carreiras desportivas, corroborada pelo presidente do Conselho Directivo do IEFP, Domingos Lopes.
“Os atletas olímpicos mostram competências essenciais no mercado de trabalho, valorizadas pelas empresas de todos os sectores. Sabemos que a transição é um momento particularmente desafiante. Este protocolo nasce para responder a esse desafio, garantindo que nenhum atleta fica para trás e que o esforço de uma vida encontre portas abertas para novas oportunidades profissionais”, expressou.
O ex-canoísta Emanuel Silva, medalha de prata em Londres2012, lidera a Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) e lembra que a transição de carreira deverá ser preparada “com tempo e visão”.
“A transição de carreira não é um tema que surge apenas quando se abandona a competição. Começa a preparar-se no dia em que se decide ser atleta. Este protocolo é uma ferramenta importante para reforçar o apoio a atletas na formação e empregabilidade”, disse Emanuel Silva.
Também a presidente da Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal (AAOP), a ex-nadadora Sandra Neves Sarmento, presente em Seoul1988, considerou que os sucessos de um atleta também se medem pela vida que constrói depois da carreira desportiva.
“A transição deve ser preparada atempadamente e acompanhada com as ferramentas certas. Estamos a criar mais oportunidades para que os atletas se preparem com maior confiança. Esta colaboração pode gerar soluções concretas e impacto real na vida dos atletas. É mais um passo num caminho que queremos construir, em que os atletas são apoiados em todas as fases da vida”, sublinhou.
Em mesa-redonda após a cerimónia protocolar, os atletas Sara Catarina Ribeiro e Pedro Ferreira, respectivamente licenciados em Ciências Empresariais e Engenharia Aeroespacial, partilharam a visão sobre uma carreira no alto rendimento.
“O facto de termos de ultrapassar adversidades, como lesões, traz para empresas uma proactividade a que muitas vezes as pessoas no mercado de trabalho não estão habituadas. Sinto que somos “barrados” logo na análise curricular e só teremos a sorte de ser contratados se nos derem a oportunidade de partilhar o nosso lado e as dificuldades”, expressou a atleta, que participou na maratona em Tóquio2020.
Já o campeão europeu em ginástica de trampolins em 2024 e medalha de bronze mundial por equipas em 2025 admitiu necessitar de estímulos externos nos seus momentos de intervalo das competições, desde que consiga conciliar os horários.
“Poder ter outras fontes de rendimento tira-nos pressão das provas e mostra que não valemos só pelos resultados. Temos a capacidade de lidar com situações de stress e uma gestão de tempo que praticamos desde miúdos. Eu tenho bastante dificuldade em acreditar que não seja uma mais-valia para uma empresa. É mais uma questão de ter acesso a quem toma essas decisões”, explicou Pedro Ferreira.
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