Apesar do bloqueio norte-americano e de Cuba estar a desaparecer do mapa das agências e operadores, inclusive em Portugal, Cuba não faltou este ano à sua habitual presença na BTL, a feira de turismo de Portugal que decorre até domingo na FIL do Parque das Nações, Lisboa. “Temos hotéis abertos, passeios e excursões que prosseguem sem interrupções significativas”, diz ao PÚBLICO Niurka Pérez Denis, conselheira de Turismo da República de Cuba para Espanha e Portugal. Procurando contrariar a ideia de que o turismo em Cuba está por um fio, a responsável faz a defesa da normalidade possível: “O turismo não parou”.
Apesar da crise energética provocada pelo bloqueio, e a inerente escassez de combustível, nomeadamente para reabastecer aviões, com centenas de cancelamentos de voos de várias partes do mundo, a responsável está em Lisboa para continuar a promover o destino junto dos portugueses, como tem feito nos últimos anos. “O turismo é um sector estratégico para o país e não será abandonado”, afirma, focando-se na ideia de “reorganização” neste período “difícil”.
Niurka Pérez Denis sublinha que Cuba enfrenta “um rigoroso bloqueio há mais de 60 anos, que tem vindo a intensificar-se”, mas a esse facto junta a “instabilidade global” que se vive que não se resume a este país caribenho. “O mundo está de pernas para o ar, basta ver o que aconteceu na Venezuela e o que está a acontecer no Irão. Mas nós cubanos temos um doutoramento em resiliência. Enfrentamos sempre os desafios de frente e já ultrapassamos situações muito difíceis no passado”, realça. “Com a presença na BTL queremos tranquilizar os turistas e mostrar que o turismo em Cuba continua activo e seguro”, justifica.
Para mitigar a escassez de combustível, muitas companhias aéreas que voam para Cuba estão a reabastecer noutros destinos, o que permite que várias operações não sejam canceladas, destaca Niurka Pérez Denis.
Já as operações de alojamento “foram concentrando-se em hotéis seleccionados com base na procura e ocupação, o que garante melhor qualidade de serviço e disponibilidade de recursos”, explica. A conselheira de Turismo da República de Cuba para Espanha e Portugal confirma que há hotéis abertos em todos os pontos turísticos importantes. “Em Varadero, há hotéis abertos das cadeias Meliá e Iberostar, que aprovaram parcerias para garantir o abastecimento, de forma a manterem os padrões de qualidade”, exemplifica.
Apesar dos operadores turísticos em Portugal não estarem a vender o destino e o governo português desaconselhar as viagens para Cuba, Niurka Pérez Denis diz que os portugueses podem viajar via Madrid. “As companhias aéreas espanholas como a Iberia, Air Europa, World2Fly, bem como a China Airlines e a Cubana, continuam a voar para Cuba”, garante. A grande diferença reside no regresso, “pode haver algumas alterações nos horários dos voos, porque os aviões precisam de reabastecer na República Dominicana”, advoga. O certo é que muitos operadores e companhias têm vindo crescentemente a suspender o destino, em geral com a indicação de que Cuba poderá ser retomada assim haja condições – o único grupo hoteleiro português na ilha fechou na semana passada os quatro hotéis que detém no país.
Portugal é um mercado importante para Cuba, tendo acabado o ano anterior como 11º país com mais turistas a entrar nesta ilha caribenha. “No ano passado, os turistas portugueses ultrapassaram os 30 mil”, revela a conselheira de Turismo da República de Cuba para Espanha e Portugal. “Sabemos que assim que for possível, os operadores portugueses irão retomar as viagens”, continua.
Em 2025, de acordo com os dados mais recentes da agência nacional de estatísticas de Cuba, visitaram Cuba 1,8 milhões de turistas, uma queda face aos 2,2 milhões do ano anterior, e o número mais baixo em mais de duas décadas.
Cuba continua a ser um país seguro para os turistas, assevera a responsável cubana. “O calor humano, a simpatia e o espírito familiar do povo cubano mantém-se apesar de todas as dificuldades que enfrentamos diariamente”, refere, alertando que Cuba nunca abandonou qualquer turista no território. “Aliás, todos os portugueses que regressaram há pouco tempo de Cuba afirmaram que não tiveram qualquer problema”, realça.
Mas e os cubanos como estão a viver a situação? “Os funcionários de hotéis temporariamente encerrados estão a ser realocados ou a participar em programas de formação e reciclagem. O governo cubano garante a todos os trabalhadores um emprego e, portanto, ou estão a ser formados ou a ser colocados noutros empregos que também são viáveis para a economia”, explica.
Niurka Pérez Denis está confiante em relação ao futuro. “Será encontrada uma solução, já o fizemos muitas vezes, em contextos diferentes. Saímos de todas essas situações mais fortes e é essa a nossa ideia agora também: sair desta situação ainda mais fortes”, remata.
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