Daniel Vorcaro assombra Brasília

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Polêmico desde a sua posse como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em outubro de 2009, quando se envolveu em uma confusão por causa de um patrocínio de 40 mil reais da Caixa Econômica Federal para a festa daquela ocasião — ele se defendeu afirmando não estar a par dos fatos —, José Antonio Dias Toffoli continua sendo manchete na imprensa.

São muitas as controvérsias o envolvendo. A mais recente, quando uma investigação da Polícia Federal encontrou o nome de Toffoli em mensagens registradas no telefone celular de Daniel Vorcaro, o enroladíssimo dono do falido Banco Master, que está no centro de um dos maiores escândalos políticos do Brasil. A constatação da PF resultou na saída do ministro da relatoria do caso da Master, em processo que tramita na Corte.

Toffoli já vinha sendo bombardeado havia meses por suspeitas de ligações com Vorcaro, com quem se reuniu pelo menos 10 vezes entre 2023 e 2024, o que reforçou os laços entre os dois. Em janeiro último, descobriu-se, por exemplo, que o resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, que pertencia a dois irmãos e a um primo do ministro, havia sido vendido em abril de 2025 ao advogado Paulo Humberto Barbosa, transação realizada por meio de um fundo administrado pela REAG, instituição liquidada pelo Banco Central na esteira do fechamento do Master.

Jose Eugênio, irmão de Toffoli, informou que a empresa da família, a Maridt Participações, havia se desligado do resort. Em 12 fevereiro último, Toffoli divulgou uma nota admitindo ser sócio da Maridt, mas negou qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vacaro. Apesar das negativas, o ministro foi deletado pelos colegas do Supremo da condução do processo envolvendo o Master, devido ao claro conflito de interesse. Sem opção, curvou a espinha e saiu cabisbaixo.

Sorteado para assumir o caso no STF, o ministro André Mendonça veio garantir transparência ao processo e colocar ordem nas diligências necessárias à apuração de eventuais delitos cometidos pelos envolvidos no escândalo do Master. Já determinou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que entregue à CPI do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) os dados sobre Vorcaro conhecidos após a quebra dos seus sigilos.

Mendonça também reafirmou a posição da Polícia Federal nas investigações, que temia que provas pudessem ser corrompidas ou usadas de forma indevida se o processo continuasse sob a batuta de Toffoli. Além disso, estrategicamente, dispensou Daniel Vorcaro de comparecer à CPI do INSS, o que aconteceria nesta segunda-feira, 23 de fevereiro.

As atenções do mundo político em Brasília estão voltadas para os desdobramentos do processo do Master. Com a decisão do ministro André Mendonça de não convocar, pelo menos nesta fase inicial, Daniel Vorcaro para depoimentos, poderá haver certa descompressão no ambiente, mas a intranquilidade continuará assombrando os céus da capital do Brasil na política.

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