Um líder da oposição venezuelana foi detido poucas horas depois de ter sido libertado e foi posto em prisão domiciliária, de acordo com o Ministério Público. Os pormenores sobre o caso são escassos, mas o episódio põe em causa as promessas de amnistia e abertura política feitas pelo Governo chavista.
Juan Pablo Guanipa estava preso há oito meses sob acusação de conspirar para realizar um ataque terrorista e tinha sido libertado no domingo, tal como tem acontecido com centenas de presos políticos, incluindo vários luso-venezuelanos, cujas libertações têm sido autorizadas pelo regime ao longo do último mês.
No entanto, poucas horas depois, Ramón Guanipa, filho do político, denunciou o “sequestro” do pai, dizendo que foi levado de carro por “um grupo de dez pessoas não identificadas” numa urbanização de Caracas.
A líder oposicionista e Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, também denunciou a nova detenção de Guanipa e exigiu a sua “libertação imediata”. O partido Primeiro Justiça, do qual faz parte o político, foi ainda mais longe e disse que Guanipa foi “sequestrado pelos corpos repressivos da ditadura”.
O partido responsabilizou directamente a Presidente interina Delcy Rodríguez, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, “por qualquer dano contra a vida de Juan Pablo”.
O Ministério Público informou que o político violou os termos da sua libertação e, por isso, vai ficar sujeito a prisão domiciliária, sem, porém, fornecer mais detalhes.
A seguir à sua libertação, Guanipa divulgou vídeos nas suas redes sociais com declarações a jornalistas e um discurso perante uma multidão de apoiantes no qual dizia que o actual Governo venezuelano é ilegítimo e apelou à libertação de todos os presos políticos.
A nova detenção de Guanipa, um membro destacado da oposição ao chavismo, vem instalar dúvidas acerca da real disposição do regime em avançar para uma normalização das relações com os opositores que há mais de uma década denunciam o autoritarismo do Governo.
Desde a operação militar norte-americana para capturar o Presidente Nicolás Maduro, há pouco mais de um mês, que as autoridades venezuelanas têm libertado centenas de presos políticos. As libertações têm sido interpretadas como medidas que visam a redução da tensão interna, assim como sinais de que o regime poderá estar aberto a uma transição democrática impulsionada por Washington.
No final de Janeiro, Delcy Rodríguez anunciou que pretende ver aprovada uma lei da amnistia que permita a libertação e a retirada de todas as acusações contra os cerca de mil presos políticos venezuelanos.
Apesar das dúvidas, o Governo continua a libertar membros da oposição e só no domingo foram libertadas 35 pessoas, de acordo com o Foro Penal, uma organização não-governamental de defesa dos direitos destes presos.
Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com







