Foi há um ano, seria Primavera ou já era Verão? Estávamos à mesa de um almoço familiar e uma das minhas sobrinhas — já são todos jovens adultos — perguntou ao irmão mais novo se queria bilhetes para o Bad Bunny. Estava de telefone na mão, num qualquer site, a fazer uma compra. “Bugs Bunny? Mas eu sou alguma criança?”, perguntou o rapaz, com toda a calma, embora relativamente indignado. Ela atirou uma forte gargalhada, seguida dos restantes primos. Eu fiz um sorriso amarelo. Com 34 anos de diferença, eu e o meu sobrinho, não fazíamos ideia de quem seria Bad Bunny.
Aprendi naquele almoço e, por isso, quando a organização do Super Bowl anunciou que o intervalo da final seria preenchido pelo artista já não estranhei o nome, pelo contrário, passei a acompanhar a polémica dos indignados pela escolha, quase todos associados à ala que elegeu Trump. A cultura é sempre política, e Bad Bunny provou-o no espectáculo de domingo passado. Foram 13 minutos de significado atrás de significado e soube tão bem — teve tal impacto que houve republicanos a pedirem sanções e até a prisão do artista (repito a palavra porque não consigo chamar-lhe cantor, que não prima pela afinação, peço desculpa aos fãs). Pelo caminho, ficámos a saber que Bad Bunny escolheu vestir-se com roupa da Zara e que a camisola foi feita em Santo Tirso.
Entretanto, o mau tempo não tem dado tréguas e, nos últimos dias, na nossa equipa Ímpar/Fugas não havia conversa que não fosse do “isto é horrível”, “isto já não se aguenta” ao “não consigo fazer, que sou movido a energia solar”. Por isso, a jornalista Rita Caetano foi ouvir especialistas e traçar 12 estratégias para combater o impacto do mau tempo na nossa saúde mental. A ler. Ainda sobre o mau tempo, a cronista Liliana Carona reflecte sobre como as nossas casas não estão preparadas para o frio, nem para as intempéries, enfim, escreve sobre a pobreza energética: “Há um país que treme de frio no Inverno e, pior, morre a tentar combatê-lo.”
Esta semana, como se aproximava o Dia dos Namorados, a Inês Duarte de Freitas escreveu sobre o passo seguinte, o ir viver junto e quais são as coisas a ter em conta, do dinheiro às tarefas domésticas passando pela vida sexual. Uma das questões que pode dar origem a conflitos é precisamente a divisão das tarefas domésticas. Um parêntesis para lembrar que no início do mês, um estudo do ISEG dava conta que a divisão das “tarefas não remuneradas” em casa permanece desigual e as mulheres despendem 20% do seu tempo diário nessas tarefas face aos 13% do tempo dos homens. Ao fim-de-semana, esses valores sobem para 42% e 26% respectivamente. Não é, por isso, de estranhar que eles tenham mais tempo para hobbies.
Na terça-feira, a Ikea apresentou um inquérito encomendado ao YouGov, em 31 países, sobre A vida à volta da mesa, e, mais uma vez, estas desigualdades confirmam-se. São, sobretudo, as mulheres a fazer compras para casa (58% vs. 36% dos homens), a escolher o que pôr no carrinho (63%), a planificar as refeições (apenas 31% dos homens desempenha essa tarefa). Apenas 29% dos homens cozinha e 34% limpa após as refeições (45% para as mulheres).
O Dia dos Namorados serve também de mote para alertar para a violência no namoro. A pediatra Ana Rita Constante arranca assim o seu texto: “Começa quase sempre da mesma maneira: com o coração a bater mais rápido. No início, são as borboletas no estômago, a sensação de que o mundo inteiro cabe numa só pessoa. Mas, aos poucos, as borboletas podem transformar-se num nó apertado.” É que este é um problema real, entre os mais novos: um estudo da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), em que foram inquiridos 8080 jovens com idades entre os 12 e os 21 anos, 65% dos rapazes não consideram violência proibir roupas ou conversas às namoradas.
Uma das coisas a que devemos estar atentos no namoro (e depois também, claro) é a manipulação. E, nesta semana, nem de propósito, tivemos um bom exemplo nos Jogos Olímpicos de Inverno. O atleta norueguês Sturla Holm Laegreid, que conquistou medalha de bronze na prova de 20 quilómetros de biatlo, aproveitou para, em lágrimas, declarar que tinha traído o amor da sua vida. Sturla namorava há seis meses, traiu três meses depois o “amor da sua vida”, foi assim que lhe chamou, continuou como se nada fosse, decidiu confessar uma semana antes da prova, esperava que a reacção fosse “está tudo bem, meu amor”, ficou surpreso por não ser perdoado, afinal ele é o maior, decidiu expor a sua vida pessoal ao mundo e toda gente ficou a saber que algures na Noruega há uma mulher que não só foi enganada, como humilhada publicamente pelo ex-namorado. Sturla ainda chorou porque ele é uma vítima e haverá maior prova de amor do que dizer ao mundo inteiro? Querem melhor exemplo de manipulação?
Outro parêntesis para dizer que os dez mil preservativos distribuídos na aldeia olímpica esgotaram em véspera de Dia dos Namorados. São 2800 atletas, o que dá três preservativos e meio para cada um e falta ainda uma semana para os Jogos terminarem, por isso. É a loucura total com tantos corpos saudáveis à solta na aldeia olímpica? “Já sei que muitas pessoas estão a usar preservativos, ou a dá-los aos amigos fora dos Jogos Olímpicos, é uma espécie de presente para eles”, justifica Mialitiana Clerc, esquiadora alpina de Madagáscar.
Temos visto como nisto do amor as coisas têm mudado, vamos ouvindo falar de pessoas apaixonadas por chatbots e outras que usam a inteligência artificial para preencherem os perfis das aplicações, ou seja, começamos a submetermo-nos à inteligência artificial para tudo, até para o amor, a Rita Caetano foi falar com especialistas, nomeadamente James Muldoon, sociólogo e investigador no Instituto da Internet de Oxford, que escreveu Love Machines (ainda não traduzido em Portugal), sobre este tema. Vale a pena tirar uns minutos para ler, que o texto ainda é longo.
Para Fugas deste sábado, a Rita Caetano também conversou com sete casais ligados à restauração sobre como é viver e trabalhar em conjunto. Há altos e baixos, não é tudo cor-de-rosa, e há segredos que estes casais partilha, que podem ser inspiradores para as nossas relações.
É também sobre Internet, nomeadamente redes sociais, que Inês Duarte de Freitas conversa com a psicóloga e sexóloga Tânia Graça no seu podcast A Vida não é o que Aparece, em que a especialista se debruça sobre a utilização das redes pelos mais novos. Este episódio saiu na terça e na quinta o Parlamento aprovou o projecto de lei do PSD que prevê restrições ao uso de redes sociais por menores de 16 anos, com votos contra do Chega e da Iniciativa Liberal.
No sábado, tive das melhores conversas de cabeleireiro de sempre, dizia-me uma professora do secundário que esta tinha sido a primeira boa semana do ano: António José Seguro tinha vencido as presidenciais (este domingo ainda há 20 freguesias que vão às urnas) e o projecto de lei das redes sociais tinha sido aprovado, o que era uma boa medida para tentar travar o extremismo entre os rapazes, “daí os votos contra daqueles dois partido, cada um à sua maneira, sabe como manipular os jovens”, notava. “Um manipula os mais básicos, o outro os betinhos a quem dou aulas”, acrescentou. Não pude deixar de concordar.
Tal como a professora do cabeleireiro, a mim também me soube bem começar a semana com a eleição de António José Seguro e a mensagem de Bad Bunny: “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor.”
Boa semana!
PS: Para quem lê esta newsletter, em baixo estão outros temas Ímpar que destaco nesta semana; para quem nos lê no site, é só clicar aqui.
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