Eleição de Seguro leva AD a prometer “toda a cooperação” e PS a admitir “consensos”

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A eleição de António José Seguro colocou a “estabilidade” no centro do debate político novamente. O primeiro-ministro e os partidos que suportam o Governo apelaram à “cooperação” do Presidente eleito para garantir a governabilidade e o PS mostrou-se disponível para “consensos” com a AD. Já os partidos à esquerda — que vêem na eleição do socialista uma vitória da democracia , pediram a Seguro que enfrente a direita.

Marcelo Rebelo de Sousa foi dos primeiros a felicitar Seguro, “desejando-lhe as maiores felicidades e êxitos”. O ainda Presidente manifestou “toda a disponibilidade para assegurar a transição institucional”, numa nota no site da Presidência da República. E, como tal, marcou já uma reunião com o Presidente eleito no Palácio de Belém na segunda-feira, 9 de Fevereiro.

Na mesma linha, José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República, desejou a Seguro “votos de um bom mandato” e garantiu a “cooperação institucional do Parlamento”.

Também o primeiro-ministro prometeu “toda a cooperação” por parte do Governo. Projectando um futuro de “cerca de três anos e meio sem eleições nacionais”, Luís Montenegro disse esperar que a “colaboração” com o Presidente garanta a “estabilidade política” no país e a execução do Programa do Governo.

“Este período de três anos e meio sem eleições nacionais que se abre agora é, pois, a altura de todos poderem estar com o sentido de cumprirem aquelas que foram as garantias que deram ao povo português”, vincou, num recado destinado também à oposição.

Coube a Leonor Beleza falar pelo PSD. A primeira vice-presidente do partido garantiu igualmente a “colaboração leal” dos sociais-democratas e apelou a uma “cooperação interinstitucional intensa” com Seguro que “se traduza em resultados visíveis”. “Estamos neste momento com três anos e meio em que não haverá eleições nacionais. É muito importante que utilizemos este tempo precioso em benefício de todos os portugueses”, vincou, à semelhança de Montenegro.

Enquanto presidente do CDS, Nuno Melo desejou a “maior sorte” a Seguro. Mas não deixou também de falar enquanto ministro para reforçar a mensagem de que, após um ciclo de sucessivas eleições, “é tempo de assegurar a estabilidade”.

Esquerda fala em vitória da democracia

Pelo PS, José Luís Carneiro enquadrou a eleição de Seguro como uma “vitória da esperança sobre o ressentimento”, “das liberdades, direitos e garantias de todos os cidadãos”, dos “valores da Constituição”. E, embora sinalizando que Seguro é um “homem do socialismo democrático”, quis separar a sua vitória do PS, ao apontar que representa um “amplo campo político democrático”.

Na linha de Seguro, o secretário-geral do PS mostrou-se “disponível” para chegar a “consensos fundamentais” com o Governo. E avisou o executivo de que “só não responderá aos problemas se continuar a insistir na insensibilidade, arrogância e distanciamento”.

Também Rui Tavares, co-porta-voz do Livre, defendeu que “dois terços” dos eleitores escolheram uma política “de unidade” em vez de “conflitos artificiais” e a favor da Constituição. E argumentou que isso dá a Seguro “uma legitimidade política acrescida”.

O PCP mostrou “grande satisfação” com a “clara derrota” de Ventura e das “concepções que transporta”. Ainda assim, Paulo Raimundo, secretário-geral, criticou a disponibilidade de Seguro para “cooperar” com o Governo e apelou a que “não apoie uma política que afronta” a Constituição.

Quem também deixou recados foi o BE. Assinalando que a vitória de Seguro é uma “grande notícia”, José Manuel Pureza, coordenador, sublinhou que “agora é preciso recuperar a esperança na democracia e enfrentar a direita que foi derrotada nestas eleições”.

Na mesma linha, Inês Sousa Real, porta-voz do PAN, sinalizou que os portugueses “estão ao lado dos valores democráticos e não de uma agenda populista retrógrada”. E disse esperar que o primeiro-ministro “saiba ler os resultados e deixar de normalizar o Chega”.

Em sentido contrário, a IL não saudou Seguro, mas defendeu que há razões “graves” para “nunca votar em Ventura”, como ser “socialista” em matéria económica.

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