Em Porto Brandão, os terrenos estão a deslizar e já fizeram estragos em estradas e habitações. Nesta semana, estes deslizamentos de terras da arriba e o seu risco contínuo levaram à saída de cerca de 500 pessoas e há moradores que “provavelmente não vão poder regressar”, disse, esta sexta-feira, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, que adiantou estar a ultimar o pedido para que o Governo decrete situação de calamidade no concelho. Especialista que está a monitorizar a situação assinala que “os movimentos de terrenos continuam bastante activos” nesta localidade em frente ao rio Tejo.
As cerca de 500 pessoas que foram retiradas ou saíram voluntariamente de Porto Brandão têm estado a levar os seus pertences com o acompanhamento técnico da Junta da União das Freguesias de Caparica e Trafaria e dos serviços municipais esta sexta-feira, adiantou fonte oficial da Câmara de Almada ao PÚBLICO, referindo que já não há munícipes a retirar da localidade. A autarquia está a apoiar mais de 160 moradores. Na quinta-feira, por via marítima fez-se o transbordo de veículos, indicou a Transtejo, a empresa de transporte fluvial. A contabilização de estragos causados pelos deslizamentos de terra causados pelo mau tempo está a ser avaliada.
Devido a toda esta situação, a presidente da autarquia indicou que o município está a ultimar o pedido para enviar ao Governo para que decrete a situação de calamidade em Almada, que permite que possam ser aplicadas medidas excepcionais de apoio ao problema. Em declarações aos jornalistas, nesta sexta-feira, Inês de Medeiros afirmou que esta é “provavelmente a situação mais crítica no concelho”. “Estamos a falar numa grande extensão de terra que está em risco de desabar e com a necessidade de retirar pessoas que, provavelmente, não vão poder, de todo, regressar às suas casas”, afirmou.
António Pedro Santos/Lusa
A autarca referiu que se sabia que esta situação poderia acontecer, mas que “não se imaginava que pudesse acontecer tão rapidamente e com esta extensão”. Inês de Medeiros informou que, tendo em conta a gravidade do problema, se precisará de um plano “alargado” e que dê resposta às pessoas que tiveram de sair. Este plano terá de ir além da prevenção e pequenos arranjos, adiantou. Paralelamente, terá de ser feita uma “análise profunda” à arriba.
Tendo em conta a extensão do problema, Inês de Medeiros realçou que o município não pode estar sozinho no desenvolvimento do plano e da análise. Embora tenha tido a visita de secretários de Estado nos últimos dias ao território e o Governo tenha “começado a perceber a dimensão do perigo”, considerou que “não foi feito politicamente o suficiente”. A autarca alertou ainda que se tem de “olhar para a situação numa perspectiva de vários meses”.
Uma “situação dramática”
Nesta sexta-feira, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, apelou ao Governo para que envie uma equipa multidisciplinar para Porto Brandão. “O que se está a passar aqui é muito grave, é algo que nos sensibiliza especialmente e o Governo tem o dever de não deixar uma presidente de Câmara sozinha com um drama dessa natureza”, afirmou, citado pela agência Lusa, ao lado de Inês de Medeiros (PS).
DR
O geógrafo José Carlos Ferreira indica ao PÚBLICO que “os movimentos de terrenos continuam bastante activos” em Porto Brandão e que pessoas que viviam em cima ou na base da arriba tiveram de ser retiradas por prevenção. “O movimento intensificou-se e os terrenos estão a deslizar”, informou o professor do Departamento de Ciências de Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL). O especialista, juntamente com Paulo Sá Caetano (também da FCT-UNL), coordena uma equipa que está a monitorizar e a apoiar na tomada de decisões, por solicitação da Protecção Civil e da Câmara Municipal de Almada.
O geógrafo alerta para a extensão do problema e a “situação dramática” vivida em Porto Brandão, pois os deslizamentos que “aconteceram ou estão a acontecer” têm “dezenas de metros”. Além disso, avisa que os “movimentos são imprevisíveis e que se tem de ter cautela”. Já houve casas destruídas e há o risco de outras ficarem, sublinhou. Os únicos acessos à localidade são de barco e por uma estrada alternativa à principal, que ficou danificada. O PÚBLICO questionou qual o número de habitações já afectadas, mas ainda não obteve resposta.
O trabalho da equipa da FCT-UNL não se ficará pelos próximos dias nem apenas por Porto Brandão. José Carlos Ferreira refere que a monitorização às arribas no concelho continuará nos próximos anos. Outro local a ter em atenção é na arriba fóssil da Costa de Caparica, mais precisamente a norte da via rápida, que abrange zonas como São João da Caparica, onde já se verificaram deslizamentos este ano devido ao mau tempo.
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