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De estagiária em um escritório de contabilidade, no interior baiano, a dona de loja de sorvete de açaí na Suíça, 18 anos se passaram na vida da Ísis Paroz. Nesse intervalo, ela trabalhou como babá, faxineira e garçonete até abrir o próprio negócio. Hoje é dona do Tea Room Break Açaí, na cidade de Nyon, distante cerca de 30 quilômetros de Genebra, na Suíça, onde vende açaí, sucos e salgados. A mudança para a Europa aconteceu quando ela tinha 21 anos de idade. Conhecidos da mãe dela comentaram sobre uma família suíça que procurava uma babá e ofereceram a ela a oportunidade de passar um ano no país, com passagem paga e curso de francês.
A decisão não foi imediata. A empresária conta que ficou em dúvida no início, mas recebeu o incentivo da mãe para tentar a experiência. A meta era passar apenas um período no exterior e, caso não se adaptasse, retornaria ao Brasil. O plano inicial mudou e ela acabou construindo sua vida na Suíça.
A ideia do negócio surgiu a partir de um hábito pessoal: a vontade de consumir açaí, segundo relata. Como gostava da fruta, precisava viajar a uma cidade próxima a Nyon para encontrar a iguaria. Foi então que surgiu a pergunta que mudaria sua trajetória: por que não abrir uma loja de sorvete de açaí em Nyon?
Matéria-prima de Portugal
A decisão, no entanto, não veio sem insegurança. No dia da inauguração, o medo quase a fez desistir. “Pensei: meu Deus do céu, que loucura abrir uma loja aqui, eu não vou dar conta, nunca fiz isso na vida, isso é sério, real. Eu chorava e dizia: não vou. A minha irmã, que estava esperando eu chegar à loja, me telefonou e disse: ‘mana, cadê você? Já tem uma fila aqui na porta esperando abrir’. Comecei a chorar mais ainda, mas disse: vamos lá”, conta Ísis, entre risadas, ao relembrar do dia em que começou a vida de brasileira empreendedora fora do Brasil.
Ela destaca que o açaí vendido no estabelecimento tem textura consistente, semelhante a um sorvete cremoso e sem cristais de gelo. A matéria-prima é comprada em Portugal e transportada até a Suíça em caminhões frigoríficos. “Eu estive no Algarve e experimentei o açaí de lá. Gostei muito e comecei a contactar alguns fornecedores. O produto de um deles me chamou a atenção e escolhi o fornecedor. Procurei em Nyon o ponto comercial para alugar. Depois de um tempo encontrei o lugar, aluguei e aí tudo isso começou há quatro anos”.
Divulgação
Além do açaí, o cardápio inclui outros sabores brasileiros, como coxinhas, pastéis e cachorro-quente. Muitos clientes compram os produtos especialmente durante os meses mais quentes. Ísis afirma que, atualmente, trabalha sozinha, mas que, nos fins de semana, quando o movimento aumenta, tem dois colaboradores. Entre março e outubro o fluxo de clientes cresce significativamente, sobretudo entre junho e setembro, auge do verão. Em dias de maior movimento, a loja vende mais de 100 unidades de açaí.
Resiliência e coragem
O início, menciona a empresária baiana, foi desafiador. Ela lembra que, no primeiro ano de funcionamento, houve momentos em que pensou em desistir: ficava sentada na loja e não entrava um único cliente. Entretanto, palavras como paciência, resiliência e persistência não permitiram que ela abandonasse o projeto.
“Empreender não é fácil e também não se pode esperar estar pronto 100% para fazer acontecer. Costumo dizer que empreender é aprender fazendo. Se você não se lançar, nunca vai saber [o que vai acontecer]. A pessoa que quer empreender tem que estudar o país, saber as demandas, ter um plano financeiro, muita resiliência e coragem. E se você trabalhar só pelo dinheiro, desanima no início. É preciso força, muita força para seguir e é isso o que eu aconselho a quem tem um sonho: não desista”.
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