A literatura “tem de lutar com muita coisa, sobretudo com todo o tipo de ecrãs. Não há um grande espaço para a literatura, mas confio e acredito muito nela. Enquanto houver alguém no metro a pegar num bilhete e a anotar uma frase para escrever à namorada, haverá literatura.” É Enrique Vila-Matas, recorrente “candidato” ao Nobel da Literatura, que o diz. Está de regresso com Cânone de Câmara Escura — “provocador, insubmisso, feito com grande prazer”, escreve Isabel Lucas, que conversou com o escritor espanhol.
Vila-Matas tem um pedido: não chamem metaliteratura aos seus livros porque “a metaliteratura não existe”, a literatura é, ela própria, sempre, “metaliterária”. Neste livro, inventou um leitor, Vidal Escabia, que selecciona 71 livros, num quarto escuro de casa, com o objectivo de escrever um cânone. E esse leitor talvez seja um andróide.
Começou o livro “umas 80 vezes. Talvez só se note porque há um ritmo muito forte”, revela. Falhar é parte do processo, “é inerente à condição de escrever, à própria escrita”. “Aos treinadores de futebol perguntam: ‘Acha que fracassou, treinador?’ E não, ninguém quer dizer que fracassou. Mas eu não tenho medo disso, faz parte do risco que se assume no livro, e sem risco não há travessia.”
Talvez nunca o tenhamos visto assim. O documentário EPiC “mostra o Elvis que julgamos conhecer, mas que nunca vimos, ou que já não vemos assim”, entusiasma-se Mário Lopes, que titula, certeiro: “Elvis, esse ilustre desconhecido“. É o Elvis Presley renascido, um dos músicos mais intensos e magnéticos de sempre; é “o mais belo animal de palco”, escreve Vasco Câmara na recensão do filme de Baz Luhrmann.
“A única coisa que tenho dito aos espectadores quando o apresento é que não lutem com ele. É um compromisso muito evidente e muito imediato: o filme vai criar as suas próprias regras de funcionamento. Mas há um exercício de diálogo. Mais exigente, mas, ao mesmo tempo, mais compensador.” É Sandro Aguilar a falar de Primeira Pessoa do Plural numa entrevista a Jorge Mourinha. Com um percurso de 25 anos no cinema, Aguilar chega só agora à sua terceira longa-metragem — procurou inspiração no cinema clássico para dar vida ao seu universo atmosférico.
Os realizadores franceses Philippe Garrel e Jean Eustache (1938-1981) são nomes centrais do pós-Nouvelle Vague. Um ciclo em Lisboa, com extensões noutras cidades, junta-os. Luís Miguel Oliveira entrevistou Philippe Garrel (a conversa foi do Maio de 68 a Nico) e sublinha a importância de ter, finalmente, a obra de Jean Eustache nas salas portuguesas.
Prendre Soin, de 26 a 28 de Fevereiro na Culturgest, é o regresso do dramaturgo e encenador inglês Alexander Zeldin à sua primeira peça, um olhar cru sobre a realidade da precariedade laboral. A versão francesa não muda o essencial: um desespero por intimidade e afecto em pessoas sugadas pelo trabalho.
Também neste Ípsilon:
— Música: os novos discos de Baleia Baleia Baleia (entrevista), Converge e Charli XCX.
— Exposições: Húmus articula diálogos entre Júlio Pomar, Graça Morais e a dupla Daniel Moreira e Rita Castro Neves (no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa); Há mais para além do que os olhos conseguem ver, de Luisa Cunha (no CAV, em Coimbra).
— Cinema: recensões de Lubo, Se Eu Tivesse Pernas Dava-te um Pontapé, Olhar o Sol, Enterramos os Mortos.
— Livros: Foi o Preto, de Ângelo Delgado, com quem conversámos.
Boas leituras!
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O Ípsilon faz 25 anos e fizemos uma revista especial, com 96 páginas, para o celebrar. As nossas 50 apostas, a cultura nos últimos 25 anos e o que vem aí
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