
O anúncio de que o excedente orçamental ficou acima da previsão do Governo, fixando-se em 0,7% do PIB, está a dividir os partidos. Se os partidos que suportam o Governo (PSD e CDS) elogiam os resultados e consideram que esta quinta-feira é um dia “histórico” para o país, a oposição não vê motivos para celebrações, já que o excedente não responde ao aumento do custo de vida.
Em declarações aos jornalistas, Paulo Núncio, líder parlamentar do CDS, elogiou o “magnífico resultado do país”, e Hugo Soares, líder da bancada do PSD, considerou que este é um “dia absolutamente histórico” para Portugal.
Destacando o rácio da dívida pública abaixo dos 90% “pela primeira vez em muitas décadas”, Hugo Soares assinalou que o excedente orçamental de 0,7% foi conseguido “contra todas as piores perspectivas e os mais pessimistas”.
Sobre as criticas da oposição, o social-democrata falou em “ciumeira que não é com o Governo, é com os portugueses”. “Sinceramente, ficava melhor à oposição alguma responsabilidade e algum sentido de Estado, porque há alturas em que parabenizar o Governo pelos resultados que apresenta não lhes fica mal, nem coram de vergonha, é uma questão só de atitude e de responsabilidade”, frisou.
“Menos propaganda”
Antes, António Mendonça Mendes, vice-presidente da bancada parlamentar do PS e antigo secretário de Estado dos governos de António Costa, defendeu que o executivo “não tem razões para estar satisfeito” porque o excedente orçamental “não está a responder” ao aumento do custo de vida e à subida do preço dos combustíveis.
Por isso, o “Partido Socialista aconselha o Governo a responder às necessidades dos portugueses quando vão às bombas de gasolina e estão a pagar mais, quando vão ao supermercado e estão a pagar mais. O Governo tem de fazer menos propaganda e governar, falar menos e responder mais”, atirou.
Além disso, o socialista argumentou que os resultados anunciados “desmentem totalmente o Governo”. “É um resultado assente num saldo de segurança social que estava escondido, assente num aumento da carga fiscal e assente numa diminuição do investimento público”, criticou.
“Não há motivos para celebrar”
Também Mário Amorim Lopes, líder parlamentar da Iniciativa Liberal, sinalizou que “não há motivos para celebrar enquanto o custo de vida é tão elevado para os portugueses”. O liberal recordou palavras de Luís Montenegro quando o PSD era oposição, referindo que “o país parece estar a crescer”, os portugueses “é que não o estão a sentir”, e disse esperar que o Governo “da próxima vez que celebre alguma coisa, que seja verdadeiramente algo que os portugueses sentem no bolso”.
Não aquece, nem arrefece
Do lado do PCP, Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, defendeu que o saldo das contas públicas acima do previsto não vai “nem aquecer, nem arrefecer a vida” de quem trabalha e que os resultados se devem “à falta de investimento no que faz falta”.
“Quem está com os salários até 1000 euros, quem está numa situação de precariedade (…), quem está a enfrentar neste momento um aumento brutal do custo de vida, que hoje é nos combustíveis e já se começa a sentir no gás, nos alimentos e por aí fora, diria que essa notícia não lhe vai nem aquecer, nem arrefecer a vida”, afirmou, à margem de uma visita à Qualifica 2026, em Matosinhos, no Porto. com Lusa
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