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A brasileira Julie Wein aproveita a viagem ao Porto para unir duas grandes paixões: a música e a neurociência. A artista se apresenta nesta quarta-feira (08/04), às 22h, na Casa do Livro, e também participa de um congresso na cidade, onde mostra os resultados de sua pesquisa de pós-doutorado.
Nascida em Curitiba (PR) e radicada no Rio de Janeiro há 17 anos, Julie construiu uma trajetória que transita entre os palcos e as pesquisas. Cantora profissional há 12 anos, ela afirma, no entanto, que canta desde “que se entende por gente”. Em 2020, lançou o primeiro álbum, Infinitos Encontros, pela Biscoito Fino, além de alguns singles, e prepara agora o segundo disco, previsto para maio.
“Eu canto MPB e sou muito inspirada por Chico Buarque, Tom Jobim, Edu Lobo, os compositores que sempre ouvi. E, como intérprete, me inspiro em Elis Regina, Marisa Monte, gosto muito dessas cantoras”, afirma Julie. O show no Porto integra a agenda da artista em Portugal e leva o nome de seu primeiro álbum. Antes, ela se apresentou em Cascais, no dia 4, marcando sua estreia no país.
Duas vidas
A brasileira não esconde a ansiedade em relação à apresentação desta quarta-feira: “Não vejo a hora de subir ao palco no Porto, pois amo cantar em Portugal. O público é muito receptivo e tem uma curiosidade, uma vontade de ouvir música brasileira, uma escuta muito atenta, muito legal. O primeiro, foi ótimo, e estou superanimada para o show no Porto”.
Paralelamente à carreira artística, Julie também se dedica à pesquisa científica. Pós-doutora em neurociência pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), ela concluiu o doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde investigou como a música é processada pelo cérebro. A escolha pela área surgiu da intenção de integrar o que define como as suas “duas vidas”.
Aloizio Jordão
“A música ativa o cérebro de forma muito global. E o efeito que ela tem em diversas áreas do cérebro é muito poderoso, inclusive para fins de reabilitação, musicoterapia. Quando a gente observa o efeito do aprendizado musical em crianças e adolescentes, percebe que são criadas conexões entre regiões cerebrais, e essas conexões são também importantes para outras áreas do aprendizado”, destaca Julie.
Impactos da educação musical
A pesquisadora ressalta ainda os impactos da educação musical no desenvolvimento cognitivo. Segundo ela, a prática contribui para aspectos como interação social, atenção e memória, além de favorecer diferentes dimensões do aprendizado. Julie concluiu o doutorado em 2019 e, no início do pós-doutorado, teve um projeto aprovado pela Bial Foundation, em parceria com o IDOR, dentro da iniciativa Ciência Pioneira.
No Porto, ela apresenta os resultados dessa pesquisa no 15.º Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”, promovido pela Bial Foundation, na Casa do Médico, entre os dias 8 e 12 de abril. O estudo, intitulado Optmizing Methodologies for Anomalies Research in the Context of a Non-Inferential Perception Task (em português: Otimizando Metodologias para Pesquisa de Anomalias no Contexto de uma Tarefa de Percepção não Inferencial), investiga formas de aprimorar o rigor metodológico em estudos científicos.
“O que a gente fez nessa pesquisa foi basicamente estudar o que chamamos de área de meta-ciência, que é elevar os rigores de padrão metodológico-científicos. E, para isso, estudamos como podemos evitar falsos positivos e falsos negativos com protocolo metodológico muito rigoroso. Usamos uma programação com computação para gerar um ambiente de realidade 3D. Tipo um jogo de exploração espacial para as pessoas poderem jogar. Nisso a gente conseguiu fazer um jogo em que a pessoa tinha que, por exemplo, tentar adivinhar a localização de um alvo na superfície de um planeta”, explica a pesquisadora.
Ela acrescenta que o objetivo era investigar a intuição humana, um fenômeno de difícil mensuração científica. “O jogo foi desenvolvido e, a partir disso, é possível modelar estatisticamente as probabilidades de se encontrar o alvo nesse planeta. E, então, a gente consegue montar todas as curvas probabilísticas para avaliar estatisticamente cada tentativa do participante nesse jogo”.
No show desta quarta, no Porto, Julie Wein se apresenta em formato solo, com voz e piano. No dia 24, sobe ao palco em Lisboa com a participação do violonista Mário da Silva. Em Setúbal, no dia seguinte, canta com banda. E, no dia 26, retorna a Cascais para uma participação no show do pianista Carlos Veiga e do violonista Virgílio Gomes, com quem já dividiu o palco recentemente.
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