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A Acadêmicos de Niterói, escola de samba que levou para a Marquês de Sapucaí o enredo Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi rebaixada para o segundo grupo, resultado que será explorado pela oposição. Desde o início da apuração, a agremiação acumulou notas bem abaixo das concorrentes, fechando com 264,6 pontos. A escola campeã foi a Viradouro, também de Niterói.
A escola, que havia subido neste ano para o Grupo Especial, que reúne a elite do carnaval carioca, escolheu um tema político que, desde o seu anúncio, provocou um grande debate no país. Os opositores acusaram a Acadêmicos de Niterói de fazer propaganda eleitoral antecipada para Lula, que já deixou claro o desejo de concorrer à reeleição para um quarto mandato.
O presidente brasileiro, inclusive, fez questão de comparecer à Marquês de Sapucaí, mesmo com a ressalva feita por assessores, que viam a possibilidade de a oposição elevar o tom contra o governo. Também havia o temor de que Lula fosse vaiado, o que ficou restrito a alguns camarotes, frequentados pela elite.
Antes do desfile, os opositores recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão do desfile em homenagem a Lula, mas as requisições foram negadas. De qualquer forma, a presidente do TSE, Cármen Lúcia, avisou: “A Justiça Eleitoral não está dando salvo-conduto a quem quer que seja. Não está entrando em uma área de que a matéria foi resolvida, ela foi resolvida só em indeferimento da liminar, o processo continua. O MP (Ministério Público) vai ser citado para manifestação”.
Desgaste político
A oposição acusa o governo de ter destinado recursos público para a Acadêmicos de Niterói. Na verdade, a Embratur, Empresa Brasileira de Turismo, desembolsou, no total, 2 milhões de euros (R$ 12 milhões) para o conjunto das escolas de samba. Como são 12, cada uma recebeu 166,6 mil euros (R$ 1 milhão). Mesmo assim, o discurso continua sendo difundido pela extrema-direita pelas redes sociais.
As críticas ao desfile da Acadêmicos de Niterói se acentuaram depois da apresentação na Marquês de Sapucaí, ocorrido no domingo, 15 de fevereiro. A oposição se apegou, principalmente, a uma das alas da escola intitulada Neoconservadores em conversa, uma crítica feroz aos evangélicos e ao agronegócio, com os quais o governo Lula enfrenta grandes dificuldades de relacionamento.
O deputado evangélico Otoni de Paula (MDB/RJ), ex-apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro e, agora, aliado de Lula, disse que, com a homenagem, o petista perdeu parte das conquistas obtidas nos últimos meses. As pesquisas de intenção de votos vinham apontando queda na rejeição ao presidente junto aos evangélicos. “O desfile foi uma pá de cal em qualquer diálogo com a comunidade evangélica, que foi empurrada para a direita”, frisou.
Antes de comparece à avenida, Lula passou pelo carnaval do Recife e da Bahia. No dia seguinte à apresentação da Acadêmicos de Niterói, o presidente brasileiro seguiu para a Índia para uma visita de Estado que vai durar cinco dias. De lá, Lula seguirá para a Coreia do Sul.
Seus aliados, no entanto, admitem que, quando retornar ao país, o petista terá de lidar com um grande desgaste — mesmo tendo proibido seus ministros e a primeira-dama, Janja de Silva, de desfilarem —, sendo obrigado a reconstruir pontes importantes para o projeto da reeleição. As eleições presidenciais brasileiras estão marcadas para outubro próximo.
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