O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, não excluiu que Donald Trump possa decidir levar a cabo um ataque contra o Irão, mas afirmou que qualquer intervenção dos Estados Unidos não irá transformar-se numa guerra prolongada na região.
“A ideia de que vamos estar numa guerra no Médio Oriente durante anos sem fim à vista — não há hipótese de isso acontecer”, declarou, na última de várias afirmações entre fugas de informação e declarações de responsáveis sobre o assunto.
Vance, que como marine serviu no Iraque, afirmou que continua a ser “céptico de intervenções militares no estrangeiro” e que essa descrição de aplica também ao Presidente, referindo-se a intervenções anteriores muito limitadas no Irão, no ano passado, e na Venezuela.
“Penso que todos preferimos a opção diplomática”, afirmou. “Mas isso realmente depende do que os iranianos fazem e do que dizem.”
Os EUA têm actualmente deslocada uma enorme quantidade de meios militares para a região e Donald Trump disse que tomaria uma decisão sobre um ataque em breve, enquanto esta quinta-feira decorreram negociações em Genebra que terminaram com o que a delegação iraniana disse serem progressos, com mais uma ronda marcada para a próxima semana, em Viena.
“Sair de Israel enquanto há voos”
Entretanto, o Departamento de Estado anunciou, esta sexta-feira, que autorizou a saída de pessoal e familiares da sua missão diplomática em Israel devido a riscos de segurança. “As pessoas podem querer considerar sair de Israel enquanto há voos comerciais disponíveis”, dizia a nota da embaixada dos EUA em Israel. O embaixador Mike Huckabee terá afirmado ao staff da embaixada que se quiserem sair de Israel deveriam fazê-lo já esta sexta-feira, segundo o Times of Israel.
Trump admitiu, em resposta a uma fuga de informação do Wall Street Journal, considerar levar a cabo um ataque curto para pressionar o Irão a aceitar um acordo sobre o seu programa nuclear. Mais tarde, o enviado Steve Witkoff disse à Fox News que Trump estava “curioso sobre a razão – não quero usar a palavra capitulado – mas porque não o fizeram, porque sob esta pressão, com a quantidade de poder naval ali, porque não nos dizem que prometem não ter uma arma”.
Analistas especializados em Irão notam que tácticas de pressão deste género nunca funcionaram com o país, que responde muitas vezes à pressão apenas com mais relutância em aceitar acordos que lhe sejam negativos, porque uma cedência seria vista como uma desistência daquilo em que o seu poder assenta: a oposição aos EUA. E o regime enfrenta ainda neste momento uma contestação interna com protestos que está a reprimir com enorme violência.
“No fundo, Trump não compreende que a fraqueza iraniana não levará o país a capitular na mesa de negociações”, escreveu na Foreign Policy Nate Swanson, que fez parte da equipa negocial de Trump para o Irão no ano passado. “Trump também não entende que o Irão enfrenta condições totalmente diferentes das de Junho de 2025, quando optou por diminuir a tensão” após o ataque israelita e norte-americano.
A situação em que o Irão se encontra é agora muito diferente por não ser claro qual o objectivo de Trump com um ataque, por ser, por outro lado, óbvio que os EUA não querem que Teerão tenha mísseis balísticos, que o país considera absolutamente vitais, e por o Irão achar que, como não sofreram enormes consequências após os ataques do ano passado, Israel e os EUA poderão pensar em atacar ciclicamente o Irão. Tudo isto, diz Swanson, faz com que o Irão pense que será melhor responder com força desta vez – apesar da inferioridade e fraqueza, o país tem várias hipóteses de ripostar, desde atacar directamente forças americanas: sem contar com as movimentações militares recentes, os EUA têm cerca de 40 mil forças posicionadas em 13 bases na região, aponta. E mesmo que não ponha minas no Estreito de Ormuz, pode atacar alguns navios e aumentar demasiado o risco da passagem de navios nessa rota.
“Pode parecer implausível que Trump, que prometeu aos seus apoiantes um fim das guerras eternas, decidisse atingir os líderes do Irão ou comprometer-se com uma invasão terrestre para mudança de regime”, escreveu ainda Swanson. Mas continua a ser verdadeiro o adágio de nunca se saber onde uma guerra, quando começada, poderá acabar. Trump “pode ser empurrado para a frente, qualquer que seja o custo”.
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