Europa repensa a sua diplomacia climática depois de maus resultados na COP30

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A União Europeia está a ponderar uma nova estratégia para os seus esforços diplomáticos em matéria de alterações climáticas, depois de uma cimeira da ONU, no ano passado, em que teve dificuldade em reunir apoio para uma acção mais rápida e ambiciosa para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, segundo um documento interno da UE visto pela Reuters.

Os ministros do clima da UE vão debater estas ideias numa reunião em Chipre, na sexta-feira.

As expectativas para a Cimeira do Clima das Nações Unidas, a COP30, que decorreu no Brasil em Novembro, sofreram um golpe geopolítico no início de 2024, quando o Presidente Donald Trump retirou a maior economia do mundo do Acordo de Paris e das conversações.

A cimeira terminou com um acordo para triplicar o financiamento para as nações mais pobres se adaptarem às alterações climáticas, mas sem novos compromissos globais para reduzir o uso de combustíveis fósseis ou cortar as emissões dos gases que provocam o aquecimento do planeta.

A falta de vontade em considerar estas questões nos documentos finais da COP30 levaram os países da UE a considerar abandonar as negociações nas últimas horas.

A UE a 27 está agora a avaliar a forma de reforçar a sua estratégia em futuras negociações, de forma a utilizar melhor a sua capacidade de influência em matéria de comércio, finanças e desenvolvimento nas conversações sobre o clima, segundo o documento.

“A UE encontrou cada vez mais dificuldades em obter apoio internacional para traduzir o seu elevado nível de ambição em resultados de negociação concretos”, afirma o documento, que será discutido em Chipre na sexta-feira, referindo-se às tentativas da UE para garantir um acordo mais forte sobre a redução das emissões.

UE isolada

O relatório afirma que a alteração da dinâmica geopolítica contribuiu para “o sentimento de que [a UE] ficou em grande parte isolada nas fases finais das negociações” na COP30.

A União Europeia, juntamente com os Estados insulares mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas e alguns países latino-americanos, tinha insistido na inclusão de um abandono faseado dos combustíveis fósseis no acordo da COP30. Mas a proposta foi bloqueada por países como a Arábia Saudita, um dos principais exportadores de petróleo.

No entanto, a UE também foi alvo de críticas por parte dos países mais pobres, por ter resistido até ao final das negociações a um aumento do financiamento para as alterações climáticas.

André Corrêa do Lago, presidente da COP30 no Brasil, afirmou que as avaliações dos países sobre o sucesso da cimeira reflectem as diferentes prioridades na luta contra as alterações climáticas.

“A palavra ‘ambição’ não faz parte de um vocabulário que só exista na UE. Quando se fala de ‘ambição’ na UE, fala-se de mitigação. Mas quando se fala de ‘ambição’ na Índia, trata-se de financiamento. Quando se fala em ambição noutros países, trata-se de tecnologia”, disse à Reuters Corrêa do Lago.

Mais transaccional

O documento da UE sugeria que a incapacidade de utilizar os seus instrumentos de comércio e desenvolvimento tinha “limitado a capacidade da UE de reforçar as suas posições e de moldar os incentivos nas salas de negociação e fora delas”.

Um porta-voz do Governo de Chipre, que detém a presidência rotativa da UE e redigiu o documento, confirmou as discussões sobre o papel do bloco nas negociações internacionais sobre o clima.

“O nosso objectivo é manter o ritmo e continuar a reflectir sobre esta importante questão, com vista a reforçar a eficácia das negociações da COP31”, afirmou o porta-voz.

Muitos dos acordos comerciais da UE incluem incentivos em matéria de clima e de energia com baixo teor de carbono. No mês passado, um acordo comercial entre a UE e a Índia incluiu um apoio de 500 milhões de euros para ajudar a Índia a reduzir as suas emissões de gases de estufa.

“Estamos numa nova era que é mais transaccional”, disse um diplomata da UE. Alguns governos, acrescentou, também querem uma linha mais clara da UE sobre quando rejeitar futuros acordos da cimeira do clima das Nações Unidas que considerem demasiado fracos.

A UE está a lutar para manter o apoio a uma acção ambiciosa em matéria de clima entre os seus próprios Estados-membros e, no ano passado, chegou a acordo sobre um novo objectivo climático apenas alguns dias antes do início da COP30, devido a divergências entre os governos sobre o seu grau de ambição.

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