Um filho do ex-polícia suspeito de ter assassinado a actual companheira e também a ex-mulher foi quem ajudou a Polícia Judiciária a localizar os cadáveres da mãe e da segunda vítima.
Raptado de França pelo pai no final da semana passada juntamente com a progenitora, para uma fatídica viagem a Portugal, o rapaz de 12 anos lembrava-se do local na serra da Nogueira, na zona de Bragança, onde Cédric Prizzon alegadamente enterrou os dois corpos, graças às antigas antenas parabólicas da RTP que ali existem. A descrição que fez deste ponto de referência, bem como a análise do GPS da carrinha em que se deslocavam e das pesquisas que fez no telemóvel a mando do pai, puseram os inspectores na pista certa.
O menor não terá assistido aos homicídios, mas terá presenciado o enterro das duas mulheres dadas como desaparecidas pelas autoridades francesas. Está a ser alvo de acompanhamento psicológico em Portugal, enquanto se aguarda a chegada de familiares seus e da irmã de ano e meio, que também vinha na viagem, a território nacional. A embaixada francesa encontra-se a acompanhar o caso.
Quando foi abordado pela GNR nesta terça-feira a mais de cem quilómetros da serra da Nogueira, na Mêda, distrito da Guarda, numa operação de fiscalização rodoviária de rotina, o ex-militar da Gendarmerie Nationale seguia na carrinha com os dois filhos, o rapaz mais velho, fruto do primeiro relacionamento, e uma bebé de ano e meio. Foram os documentos de identificação que apresentou que levantaram suspeitas aos militares, que acabaram por concluir que eram falsos, tal como de resto a matrícula do veículo. Também tinha consigo uma espingarda sem a respectiva documentação legal, mais de uma dezena de matrículas de viaturas e 17 mil euros em dinheiro. O caso foi comunicado à Judiciária, que descobriu que o homem já era procurado em França desde o final da semana anterior por suspeitas de rapto e homicídio.
Audrey Cavalié, de 41 anos, e a nova companheira de Cédric, Angela, de 26, tinham sido dadas como desaparecidas às autoridades francesas no final da semana passada. Moravam com os filhos em Averyon, também no Sul de França. Cédric Prizzon terá sequestrado a ex-mulher, obrigando-a a embarcar na viagem de automóvel até Portugal, juntamente com Angela e as duas crianças. Os crimes terão tido lugar já em território nacional, num cenário em que, depois de matar a ex-mulher, este homem tivesse sentido necessidade de eliminar aquela que terá sido a única testemunha da primeira morte, além das crianças. Certo é que as duas passageiras saíram vivas do país onde moravam.
Cédric Prizzon nunca se conformou com o facto de ter perdido a guarda do filho mais velho: no ano passado, Prizzon participou, juntamente com outros pais nas mesmas circunstâncias, numa greve de fome em frente ao tribunal de Rodez e em manifestações em frente à Câmara de Villefranche-de-Rouergue, no Sul de França. Tinha um relacionamento conturbado com a ex-companheira, a quem acusava nas redes sociais de pôr o filho “em perigo”. Em 2021, levou-o de férias para Espanha ilegalmente, tendo entretanto sido condenado por sequestro do menor, mas também por assédio à ex-cônjuge. A sua conta de Facebook era dedicada quase exclusivamente à luta contra a ex-mulher e à suposta corrupção do sistema judiciário francês. Num dos vídeos que publicou dizia mesmo, a propósito de um episódio de esfaqueamento mútuo entre ele e Audrey: “Querem pôr-me na cadeia e eventualmente conseguirão fazê-lo, por um bom motivo (…) As provas forenses dizem que é impossível ter esfaqueado alguém.”
A imprensa francesa diz que o ex-polícia não tinha emprego certo, vivendo de trabalhos temporários, como segurança de discoteca. Também já trabalhou em fábricas.
A sua extradição para França não se afigura um cenário provável, uma vez que os homicídios foram cometidos em território nacional. Se tivessem sido cometidos em França, o ex-polícia sujeitava-se a uma pena mais dura, uma vez que neste país existe prisão perpétua. Assim, Cédric Prizzon deverá ser julgado em Portugal, onde a pena máxima é de 25 anos, quer pelas mortes quer eventualmente também pelos raptos que as antecederam.
Será presente a juiz para primeiro interrogatório nesta quinta-feira às 14h. Até ao momento não admitiu os homicídios. As medidas de coacção serão divulgadas após o interrogatório, que poderá não terminar hoje.
O processo encontra-se em segredo de justiça.
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