Food, Love Fest arranca com cinco eventos em herdades e adegas do Alentejo e Ribatejo

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O festival gastronómico Food, Love, Fest, que junta (sobretudo, mas não só) chefs do Alentejo e do Ribatejo, está de volta e tem um novo formato. O número de eventos reduziu-se substancialmente em relação à edição do ano passado para, em 2026, concentrar a festa em cinco grandes encontros, cada um deles com oito chefs, organizados em duplas, que apresentarão, cada uma, quatro pratos inspirados na cozinha das duas regiões e com produtos locais e sazonais.

O primeiro evento, que lançou esta edição, aconteceu no dia 16 de Março na herdade da Mainova, em Évora, com os criadores do conceito, Ana Músico e Paulo Barata da Amuse Bouche – Food Storytellers, a voltarem à um modelo de que gostam muito, o debate, desta vez com o chef José Júlio Vintém, do Tombalobos, em Portalegre, Afonso Dantas, da Cozinha do Paço, do projecto Fita Preta, e José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.

Discutiu-se a importância relativa dos restaurantes tradicionais versus os estrelados, para se concluir que tem de haver lugar para ambos, até porque se os segundos têm um poder de atracção grande, isso beneficia os primeiros. O debate ficou marcado por alguns alertas deixados por José Júlio Vintém: “Podemos ter todas as cozinhas, mas os restaurantes tradicionais não podem acabar de forma nenhuma. Temos de continuar a ter a nossa cozinha alentejana, e acho que é isso que se está a perder.”

Mas, tradicional ou criativa, a comida boa paga-se. “Hoje em dia, meus amigos, esqueçam a comida barata. Se é barata é porque não presta”, declarou Vintém. “Um borrego está a custar 150, 180 euros, como é que eu faço um ensopado de borrego como o que vamos comer hoje [o almoço na Mainova] barato? Nós no Alentejo já não temos produto bom e barato. Um molho de espargos custa seis euros, um molho de cardos também já custa seis euros, já não há nada barato no Alentejo.” Os restaurantes tradicionais, para serem reconhecidos como tal, têm de usar uma percentagem de produtos locais e regionais, defendeu o chef, que deixou até uma crítica às confrarias por defenderem determinados produtos mas nos eventos que organizam não usarem mais ingredientes da região.

O evento na Mainova, herdade produtora de vinho e azeite, marcou o arranque do festival
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Ficou o desafio para novos debates que ajudem a pensar a melhor forma de valorizar o Alentejo e o Ribatejo, com oferta variada, para diferentes carteiras, mas sem comprometer a qualidade.

O evento de arranque incluiu também uma visita à herdade Mainova, produtora de vinho e azeite (as oliveiras centenárias e, em alguns casos, milenares, são um dos pontos altos da visita), e com uma importante componente de enoturismo, que prevê, no futuro, também alojamento.

Os próximos já têm datas e locais e nomes dos chefs participantes. Acontecem sempre entre as 11h e as 17h e a entrada tem o valor de 75€ (inclui quatro pratos e três copos de vinho, podendo os consumos adicionais ser adquiridos no local). Os bilhetes estão à venda no site do Food Love Fest.

A mais jovem estrela Michelin do Alentejo: Afonso Dantas, Cozinha do Paço
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