Francesa Mistral obtém 723 milhões para centro de dados em Paris

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A startup francesa Mistral, que desenvolve modelos de linguagem e serviços de inteligência artificial para concorrer com empresas como as americanas OpenAI e Anthropic, obteve um financiamento de 830 milhões de dólares (723 milhões de euros) para a construção perto de Paris de um centro de dados com chips da Nvidia.

O empréstimo foi dado por um consórcio de sete bancos, naquela que é a primeira operação financeira deste género para a Mistral. O centro deverá estar operacional ainda antes do final do segundo trimestre e surge numa altura em que a soberania digital e a redução da dependência das grandes tecnológicas dos EUA se tornou um tema de discussão na Europa.

A Mistral já tinha anunciado planos para investir cerca de quatro mil milhões de euros na construção de infra-estruturas de computação dedicadas a inteligência artificial, incluindo instalações em França e na Suécia. O CEO, Arthur Mensch, afirmou que estes investimentos são essenciais para “garantir que a inovação e a autonomia em IA permanecem no centro do continente”.

A empresa é muito mais pequena do que as grandes startups americanas do sector. Atingiu no ano passado uma valorização de quase 12 mil milhões de euros, após uma ronda de financiamento de 1,7 mil milhões encabeçada pela ASML, a empresa holandesa que fabrica sistemas para a produção de chips e que é uma das empresas-chave no sector a nível global. Em Fevereiro, a OpenAI obteve investimentos com uma valorização de 730 mil milhões de dólares, enquanto a Anthropic tem uma valorização em torno dos 380 mil milhões.

Este ano, a Mistral prevê ultrapassar mil milhões de dólares em receitas recorrentes anualizadas. Um pouco mais de metade das receitas são de clientes na Europa.

Fundada em 2023 e com sede em Paris, a Mistral é a startup europeia de IA mais conhecida, mas tem investidores americanos e raízes em multinacionais dos EUA.

Dois dos co-fundadores trabalhavam antes na Meta. O outro, na DeepMind, uma empresa britânica da IA que em 2014 foi comprada pela Google. A primeira ronda de investimento na Mistral foi liderada pela Lightspeed Venture Partners, uma firma de capital de risco americana. Também tem investimentos da General Catalyst e da Andreessen Horowitz, outras duas firmas americanas, bem como da Salesforce e da Nvidia, duas gigantes tecnológicas dos EUA.

No final do ano passado, surgiu outra startup de IA com sede em Paris e fundada por um ex-funcionário da Meta. A Advanced Machine Intelligence Labs foi criada pelo cientista franco-americano Yann LeCun, que trabalhou dez anos na empresa de Zuckerberg. Este mês, obteve perto de mil milhões de euros em investimento. Entre os investidores estão a firma de capital de risco francesa Cathay Innovation, o magnata Jeff Bezos, e a Nvidia.

Ao longo do último ano, a tensão entre os líderes europeus e o Governo de Donald Trump acendeu discussões sobre a necessidade de reduzir a dependência dos serviços das tecnológicas americanas, e não apenas no que diz respeito a serviços assentes em tecnologias de inteligência artificial.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, tem sido um dos defensores desta ideia. A França decidiu deixar de usar nos funcionalismo público software de videochamadas de empresas americanas, o que inclui ferramentas da Google, da Microsoft e o Zoom. Serão substituídas por uma ferramenta desenvolvida pela própria administração pública. O país também já tinha criado um substituto para ferramentas de conversação como o WhatsApp e o Telegram.

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