A Galp considera que a escalada do conflito com o Irão está a aumentar a incerteza nos mercados energéticos, mas garantiu não registar “impactos materiais” nas operações, tendo adoptado medidas preventivas como o redireccionamento de cargas de petróleo.
Durante a conferência telefónica com analistas no âmbito da apresentação dos resultados de 2025, a co-presidente executiva, Maria João Carioca, afirmou que o portfólio da empresa beneficia de um posicionamento geográfico que limita a exposição às zonas mais instáveis do mercado petrolífero internacional.
No entanto, segundo a responsável, a petrolífera adoptou medidas preventivas, incluindo o redireccionamento de carregamentos de petróleo próprio (“equity oil”) para reduzir eventuais riscos logísticos e assegurar a continuidade do abastecimento.
Num contexto de elevada incerteza, Maria João Carioca sublinhou que será essencial manter “uma clara concentração no desempenho operacional e numa gestão financeira disciplinada”. Nesse enquadramento, a petrolífera optou por limitar o horizonte das previsões financeiras. “Estamos a limitar o nosso guidance [orientação estratégica] apenas a 2026″, afirmou, acrescentando que a empresa actualizará o mercado quando houver maior visibilidade estratégica.
A Galp assume um cenário prudente para o próximo ano, baseado num preço do petróleo Brent de 60 dólares por barril. Os contratos para entrega do crude do Mar do Norte estão, esta segunda-feira, 2 de Março, primeiro dia útil após a operação dos EUA e de Israel ter sido lançada sobre o Irão, a negociar mais perto dos 80 dólares, depois de terem disparado 13% logo que as bolsas asiáticas abriram (as 23h de Lisboa deste domingo).
Questionada sobre a estratégia de exploração e produção, a empresa indicou que privilegia oportunidades em petróleo, afirmando que o gás não é actualmente uma área de investimento activo nem uma prioridade no portefólio. “O gás não é uma área em que estejamos a investir activamente e a procurar oportunidades”, sustentou esta segunda-feira.
A suspensão do trânsito no estreito de Ormuz – que separa o Irão, a norte, dos Emirados e de Omã, a sul, a apenas 30 quilómetros de distância – terá um impacto nos preços do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL), produzidos na região.
No caso do petróleo, a valorização poderá superar os 100 dólares por barril, mas os efeitos dependem da duração do encerramento e se o conflito se alastra, consideram analistas.
“Os ataques coordenados de Israel e dos EUA contra o Irão visam explicitamente a mudança de regime e, apesar do assassinato do líder supremo, provavelmente durarão muito mais do que a acção limitada observada em 2025, quando o Brent ultrapassou brevemente os 80 dólares por barril”, salientou Paolo Zanghieri, economista sénior da Generali AM, numa nota de análise.
O analista apontou que a retaliação do Irão, ao atacar Israel, bases norte-americanas nos países do Golfo e fechar o estreito de Ormuz, “tem como objectivo pressionar os países do Golfo a procurarem a desescalada”.
O fecho do Estreito de Ormuz “poderia reduzir a produção global de petróleo em cerca de 15 a 20%”, segundo os cálculos do analista, que destacou que a OPEP+ decidiu aumentar a oferta em 206 mil barris por dia, o que poderia compensar a perda das exportações iranianas.
A Galp registou um resultado líquido recorde de 1,15 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 20% face ao ano anterior, anunciou hoje a empresa. O resultado foi impulsionado pela produção de petróleo e gás no Brasil e pela comercialização de gás natural, apesar da descida do petróleo e do dólar e da paragem programada para manutenção da refinaria de Sines.
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