Governo quer saber se diques do Mondego estão adaptados às alterações climáticas

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O Governo pediu um relatório técnico com carácter de urgência sobre o impacto das cheias no Mondego e avaliação dos modelos de gestão de risco, para adaptar o sistema de infra-estruturas da bacia do rio aos dias de hoje. “A infra-estrutura física de diques do Mondego foi desenhada no fim dos anos 1970, pelo professor de hidráulica Armando Lencastre. Neste momento, temos que nos adaptar às alterações climáticas”, afirmou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Após uma reunião nesta quarta-feira na Agência Portuguesa do Ambiente (APA), para fazer um balanço da gestão do comboio de tempestades e cheias que afectaram o continente, a ministra assegurou que o Governo já está a pensar na prevenção das próximas crises.

“Neste momento temos fenómenos climáticos muito diferentes dos anos 70. Pedimos à APA que se junte com os maiores especialistas do momento para olhar para o sistema de infra-estruturas físicas do Mondego e ver se está adaptado às condições de hoje“, explicou Maria da Graça Carvalho.

Através de um despacho publicado ainda nesta quarta-feira, a ministra pede também um avaliação do modelo de vigilância e de prevenção de cheias no Mondego, para verificar se ainda está adaptado às condições actuais.

Co-gestão no Mondego

Um terceiro ponto mencionado tem a ver com “o modelo de governança” da bacia do Mondego. “Claro que a APA é a autoridade nacional da água, mas no futuro, devemos ter um sistema de co-gestão, como existe nos parques, para que as decisões sejam tomadas rapidamente. No fundo, será tornar mais institucional o modelo que usámos no Mondego, nos dias de cheia da semana passada”, afirmou Maria da Graça Carvalho.

A ministra agradeceu a “boa articulação” com as câmaras municipais, a Protecção Civil e os “actores no local” na gestão das cheias, que considerou essencial para evitar “uma tragédia maior”.

Em zonas de risco, no litoral ou em leito de cheia, não pode haver reconstrução, afirmou a ministra, em resposta a perguntas dos jornalistas. Sobre os problemas no litoral decorrentes do mau tempo, Maria da Graça Carvalho disse que há “imensos casos” que terão de ser acudidos. Disse que já está a ser proibido o acesso a determinadas zonas de arribas, por exemplo no Algarve.

Intervenções no litoral

É necessário, contudo, haver intervenções ao longo de todo o litoral, de Caminha a Vila Real de Santo António. Há financiamento do programa Sustentável 2030 para o fazer, “mas é natural que necessite de ser reforçado tendo em conta a quantidade de casos que é preciso acudir”.

Desde sexta-feira registou-se um alívio nas condições meteorológicas, com o regresso do Anticiclone dos Açores a uma posição mais habitual, frisou o presidente da APA, José Pimenta Machado. “Com o fim do comboio de tempestades (foram sete, cinco das quais com nome)”, registou-se “um alívio muito claro em todas as bacias hidrográficas”, afirmou o responsável.

Os rios começaram a regressar ao seu leito, embora no Mondego, Tejo e Vouga, onde a situação foi mais grave, a normalização leve mais tempo. “No Sado, não há memória disto há mais de 40 anos, temos os aproveitamentos hidroagrícolas cheios. No Monte da Rocha, uma barragem que os portugueses conhecem por não ter água, ainda ontem fizemos descargas”, contou Pimenta Machado.

Neste momento, a situação aproxima-se da normalidade. “Em Almourol, Tejo, é grave se a passagem da água do Tejo chega a dez mil metros cúbicos (m3/s) por segundo, mas hoje está nos dois mil. E no Mondego, a sul de Coimbra, que nunca pode ultrapassar os 2000 m3/s, estão agora a passar 600″, exemplificou, afirmando que o mesmo se passa nas restantes bacias, um “sinal muito claro do alívio”.

Pimenta Machado destacou a “situação ímpar” que o país viveu, de cheias de que “não há memória”. Recordou que em 2024 as barragens do Algarve estavam com água para seis meses e hoje estão “completamente cheias”.

Na gestão das cheias, foi sempre usado o princípio de “provocar cheias controladas, para evitar cheias descontroladas”, em todas as albufeiras, enfatizou o presidente da APA.

A cota 115 salvou Coimbra

Pimenta Machado exemplificou com a intervenção na barragem da Aguieira, que evitou que Coimbra ficasse inundada. “Há uma cota de prevenção de cheias de referência, que é a cota 117. Tomámos a decisão de a baixar para 115, e não tenho dúvidas de que isto foi fundamental para evitarmos a cheia centenária”, afirmou.

“Lançámos cerca de 750 hectómetros cúbicos de água para nos preparar para as cheias”, o equivalente à água que os portugueses consomem num ano inteiro, salientou.

​A prioridade de intervenção deve ser o ordenamento do território, frisou Pimenta Machado. “Não aumentar o risco deve ser prioritário, em termos de prevenção”, e ainda há dezenas de milhares de portugueses que vivem em áreas de risco de cheia. Em segundo lugar, é preciso investir na protecção, sublinhou, por exemplo como Setúbal, que fez uma grande bacia de retenção. com Lusa

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