A frase
“Grécia anuncia que irá fechar todas as mesquitas no país e deportar aqueles que prossigam ilegalmente na criação espaços religiosos islâmicos.”
— Questiona-te, conta do X
O contexto
Uma publicação no X sugere que o governo grego vai fechar todas as mesquitas do país e deportar todos aqueles que criarem ilegalmente espaços religiosos islâmicos. “A Grécia está a avançar contra a islamização da Europa”, lê-se. A ideia de que a Europa está a ser “islamizada” é frequentemente utilizada por grupos de extrema-direita.
A alegação parece estar relacionada como o que disse o ministro das Migrações e Asilo, Thanos Plevris, depois do encerramento de uma mesquita ilegal no país no início de Fevereiro. As autoridades de Agios Nikolaos, uma cidade na ilha de Creta, fecharam uma mesquita ilegal e o homem responsável pelo espaço de culto foi deportado. O ministro disse: “O que aconteceu em Agio Nikolaos vai acontecer em todo o lado”. “As mesquitas ilegais serão fechadas e os envolvidos deportados”, ameaçou.
No seu site, Plevris defende “punições mais severas e execução efectiva” e uma “política de imigração rigorosa”.
Os factos
As declarações do ministro referem-se a uma lei em vigor desde Agosto, que prevê que, caso uma pessoa estrangeira seja responsável por um local de culto, seja possível a “repatriação administrativa”. Se a pessoa em questão tiver um visto de residência, pode ser revogado “sem direito a saída voluntária” e caso haja um pedido para esse visto pode ser imediatamente negado.
O ministro, na reacção ao caso de Agios Nikolaos, falou do encerramento de mesquitas, mas a lei refere-se a “locais de culto”.
Não é inteiramente verdade o que se diz na publicação em análise, já que não serão encerradas todas as mesquitas e ainda que pessoas que criem “espaços religiosos islâmicos” ilegais possam ser deportadas, a lei, em momento algum, refere religiões específicas.
Thanos Plevris, um dos grandes defensores desta lei, é conhecido pelas posições anti-imigração. Chegou a dizer, durante um debate no Parlamento: “É preciso deixar claro que o Estado grego deve proteger o seu Estado e o seu território e não pode aceitar essa tentativa de invasão. Durante a nossa visita à Líbia Ocidental, eles apresentaram um plano para 3 milhões de imigrantes. Se vocês acham que vamos permitir que essa população venha para a Europa, então estaremos a falar de substituição populacional”.
A “substituição populacional” é uma expressão utilizada por quem acredita na “teoria da grande substituição”, uma teoria racista e falsa que afirma que as “elites de esquerda” estão a conspirar para substituir, demográfica e culturalmente, as pessoas brancas da Europa por povos de outros continentes — regra geral, povos maioritariamente muçulmanos.
O veredicto
Na Grécia, como em vários países da Europa, há uma hostilidade crescente contra imigrantes muçulmanos. O próprio ministro das Migrações e Asilo já falou em “substituição populacional”.
Mas não é verdade que o país vá fechar todas as mesquitas. Em Agosto, foi aprovada uma lei que permite que “locais de culto” ilegais sejam fechados e, se for um estrangeiro o responsável por esse local, pode ser deportado. Porém, a lei não se dirige especificamente aos muçulmanos, ou seja, não prevê que serão deportadas apenas pessoas que criarem “ilegalmente espaços religiosos islâmicos”, como se diz na publicação no X.
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