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Uma ceia de Natal entre dois amigos brasileiros, que vieram morar em Portugal, acabou em barulho. Mas dos bons. Em Portugal para fazer um doutorado em urbanismo, há três anos o paulista Jadiel Tiago convidou o publicitário pernambucano Manuel Mendonça para passar o dia 24 de dezembro com sua família, em Lisboa. Entre um copo de vinho e outro, surgiu a ideia de criar uma banda. Entusiasmados com o projeto, a dupla (voz e guitarra) chamou outros amigos, o cineasta Fernando Serzedelo (baixo) e o fotógrafo Adriano Fagundes (bateria), que também moram em solo luso, para completar a banda The Playlist.
“Eu e o Manuel não nos conhecíamos há tanto tempo assim. Mas, quando ele veio ao meu apartamento, e viu a minha guitarra, já começamos a conversar sobre a ideia de fazer um som junto, de tocar junto”, conta Jadiel.
Mas só um ano depois que a conversa informal começou a virar algo sério. “Conseguimos marcar uma cerveja e, nesse meio tempo, ele me apresentou ao Adriano. Depois fizemos um almoço na minha casa que acabou virando uma jam session”, explica o arquiteto. “Tudo começou de uma maneira muito descontraída e informal entre pessoas que não trabalham com isso, mas que são conectadas com a música, que têm essa paixão”.
A primeira apresentação aconteceu na segunda edição do Vai Ter Feira, no ano passado, na Associação Dona Ajuda (antigo Mercado do Rato), em Lisboa. Manuel é um dos organizadores do evento cultural, que visa aproximar clientes de produtores de marcas independentes. “Mas já tocamos em aniversários de amigos, em festas”, relata.
Rock nacional
O repertório, frisa Jadiel, é bem eclético, mas com um ponto em comum: o rock nacional e internacional da década de 1980. “Tem uma coisa um pouco meio década de 1970 também, tem um pouco de blues, que eu acho que acaba sendo uma raiz comum para todo mundo que gosta de rock. E, claro, música brasileira, porque a gente toca Alceu Valença, Zé Ramalho”, exemplifica.
Pat Cividanes
E tem música portuguesa também. Afinal, Fernando nasceu em Portugal, apesar de ter vivido a infância no Rio de Janeiro. “É mais carioca do que português”, brinca Jadiel. “Mas fizemos uma versão de A Minha Casinha, do Xutos & Pontapés, que ficou muito bacana, o público gostou. Porque tinha bastante português no Vai Ter Feira. Embora haja uma xenofobia crescente, acho que todos da banda têm uma história de acolhimento boa para contar. Então resolvemos fazer essa pequena e singela homenagem”.
Músicos de rua
Entretanto, Jadiel critica a forma como os músicos de rua são tratados em Portugal. Os artistas reclamam da repressão por parte das autoridades municipais. “Eu acho que país enquanto Estado cobra muito e entrega pouco. Se você deixa o carro um minuto fora do lugar, imediatamente vai brotar alguém da EMEL (Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa). A parte dos deveres está muito bem exercida. Mas a parte dos direitos está um pouco atrasada de uma forma geral, inclusive com os músicos de rua. O que é uma pena, porque eles levam vitalidade para as ruas. É lamentável que isso aconteça.”
Outro integrante da banda, Adriano Fagundes, que nasceu nos Estados Unidos mas foi criado em Brasília, diz que a banda é um momento de “descompressão do dia a dia”. “É, sem dúvida, uma terapia”, garante ele, que começou tocando nos blocos de carnaval de Rio das Ostras, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, onde sua família passava as férias de verão. “O meu negócio é tocar um tambor”, diverte-se.
Os ensaios da banda, conta ele, são feitos em um estúdio no bairro da Graça, longe dos ouvidos da vizinhança. “Eu sempre tive bateria em casa. E sempre tive problema com os moradores”, relembra Adriano, que, para este ano, planeja novos shows do grupo em Portugal. E os vizinhos estão convidados.
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