A tempestade Kristin deixou marcas profundas na Mata Nacional de Leiria (MNL). Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), mais de 90% dos cerca de 1200 hectares de povoamentos florestais adultos foram afectados pela força do vento, que derrubou árvores, danificou infra-estruturas e obrigou a intervenções imediatas no terreno. E se não for removida parte significativa da carga de combustível originada pela tempestade o risco de incêndio aumenta.
Em resposta ao PÚBLICO, o ICNF descreveu um cenário de destruição significativa, mas sublinha que a área reflorestada após o incêndio de 2017 — a esmagadora maioria da intervenção feita desde então — não foi afectada pela depressão Kristin. Se o ICNF conseguir “agir com impacto até ao Verão”, o risco de incêndio será minorado, disse à agência Lusa, por sua vez, o director regional do ICNF Centro, Paulo Farinha Luís.
Operações de emergência no terreno
Logo após a passagem da tempestade, o instituto mobilizou equipas para apoiar populações e autoridades de protecção civil. As acções incluíram desobstrução de vias florestais, estabilização de emergência e identificação de situações de risco imediato.
O trabalho continua. Equipas técnicas permanecem no terreno a avaliar danos, identificar riscos persistentes e definir medidas de estabilização e recuperação. O ICNF refere que estas avaliações têm sido condicionadas pelas condições meteorológicas adversas, mas são essenciais para determinar a extensão exacta dos estragos.
Nos incêndios de Outubro de 2017, 86% da área da mata de Leiria ardeu e o que sobreviveu àqueles fogos — 1200 hectares, sobretudo árvores adultas — foi “partido ou derrubado na quase totalidade” pela depressão Kristin, disse à Lusa Paulo Farinha Luís.
Entretanto, já foi assegurado o desimpedimento das principais rodovias que atravessam a mata, embora algumas estradas florestais permaneçam com acesso condicionado devido ao risco de queda de ramos em zonas expostas ao vento.
Começar pela remoção de madeira danificada
A estratégia de recuperação da mata será “faseada e baseada nos resultados das avaliações em curso”, afirma o ICNF. A primeira etapa passa pela remoção do material lenhoso danificado, considerada imprescindível tanto para reduzir riscos como para permitir a regeneração futura. Nos 1200 hectares afectados pelo mau tempo, haverá “cerca de 140 mil metros cúbicos de material lenhoso”, disse Paulo Farinha Luís.
Em paralelo, continuará a execução do Plano de Controlo de Espécies Exóticas Invasoras Lenhosas, uma das prioridades de gestão da mata desde 2017.
O instituto sublinha que a recuperação dos ecossistemas naturais é um processo de médio a longo prazo, que se prolongará pelos próximos anos e que terá de respeitar “os ciclos naturais e a resposta do ecossistema”.
Monitorização diária e riscos ainda presentes
A monitorização das zonas afectadas é feita diariamente, com particular atenção ao risco de queda de ramos e árvores fragilizadas. O ICNF mantém articulação com a autarquia e com os agentes de protecção civil para garantir a segurança de pessoas e bens e prevenir “riscos ambientais adicionais”.
Apesar da dimensão dos danos, o instituto destaca que a área intervencionada após 2017 — onde foram plantadas centenas de milhares de árvores — permanece praticamente intacta, o que representa um ponto de partida mais favorável para a recuperação global da mata.
“Temos cerca de nove mil hectares, um pouco mais, que não foram afectados”, realçou o responsável pelo ICNF Centro à Lusa. Trata-se de pinhais jovens, “mais flexíveis”, que “não sucumbiram à força do vento” porque lhe ofereciam menos resistência, disse.
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