Igor Thiago, de pedreiro a goleador na Premier League

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Pedreiro aos 13 anos, futebolista aos 17, segundo melhor marcador da Premier League aos 24. Agora, Igor Thiago tem o mundo a seus pés, goleador inquestionável do Brentford e à beira de entrar na selecção brasileira, mas, há não muito tempo, esse caminho da felicidade parecia-lhe barrado. Por ter perdido o pai aos 13, teve de crescer depressa, obrigado a trabalhar para ajudar no sustento dos três irmãos e da mãe. Nada foi fácil para ele. Nem o futebol, que só o deixou entrar à beira da maioridade.

Igor Thiago tem sido um dos destaques da temporada na Premier League, segundo melhor marcador, com 18 golos, apenas atrás dos 22 de Erling Haaland, alimentando a campanha de um surpreendente Brentford que não anda longe dos lugares de Liga dos Campeões – está em 7.º, com 43 pontos, a cinco do Manchester United (4.º).

E esse sonho europeu ficou, neste sábado, reforçado com um espectacular triunfo dos “bees” em casa do quase despromovido Burnley por 3-4. O Brentford foi para o intervalo a ganhar por 1-3, o Burnley conseguiu chegar ao empate (3-3) e teve um golo anulado que completaria a reviravolta, depois viu Mikkel Damsgaard (que tinha marcado o primeiro do Brentford) fazer o 3-4 e teve novo golo anulado que daria o empate ao Burnley. O ponta-de-lança brasileiro deu a sua contribuição para o espectáculo, ao marcar o segundo golos dos “bees”, com um remate cruzado já dentro da área a concluir uma jogada de contra-ataque.

A cumprir a sua segunda época na Premier League (a primeira foi para esquecer, devido a uma lesão grave), Igor Thiago já tem um recorde e está a caminho de outros. Já é o melhor goleador brasileiro numa única época (ultrapassou jogadores como Roberto Firmino, Matheus Cunha e Martinelli) e está perto de bater o recorde de golos de um jogador do Brentford numa época – à sua frente estão apenas o internacional britânico Ivan Toney e o camaronês Bryan Mbeumo, com 20. Se estes números serão suficientes para ser chamado por Ancelotti? Em Março, quando o italiano divulgar a lista para os particulares com a França e a Croácia, saberemos.

Chegue, ou não, à “canarinha”, a história de Igor Thiago já foi feliz. Órfão de pai aos 13 anos, teve de trabalhar para ajudar no sustento da família – tinha três irmãos e a mãe, viúva, ganhava o ordenado mínimo a varrer ruas. Foi aprendiz de pedreiro, trabalhou no mercado a carregar fruta, andou a lavar carros. E resistiu a outros apelos. “Tinha amigos que queriam que eu fosse roubar com eles. Claro que não eram amigos, eram pessoas que eu conhecia da rua, mas queriam que eu fosse para as drogas, que seguisse o caminho errado”, contou ao Guardian em Janeiro passado.

Sempre teve o sonho do futebol, mas o futebol não queria nada com ele. Rejeitado por muitos, jogava futsal na equipa de um dos irmãos e, aos 17 anos, conseguiu ser aceite pelo Verê, equipa de uma cidade de sete mil habitantes no interior do Paraná. Do Verê chegou ao Cruzeiro de Belo Horizonte, mas o gigante do futebol mineiro estava em crise e nem reparou no talento que tinha em mãos. Deixou-o sair para o Ludogorets Razgrad, da Bulgária, onde Igor, descontente com a pouca utilização, pediu para jogar na equipa B.

Foi na Bulgária que se revelou um goleador e, em 2023, já estava a caminho do Club Brugge, na Bélgica, onde não teve de passar por qualquer adaptação. Marcou 29 golos e isso foi o suficiente para o Brentford se chegar à frente com 33 milhões de euros – foi a contratação mais cara da história do clube, que tem sempre olho para o negócio. Na primeira época em Inglaterra, por causa das lesões (e Mbeumo, entretanto vendido para o United por 75 milhões) pouco mostrou, mas levantou voo na segunda.

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