Influenciadores: instaurado inquérito a duas escolas e pedida informação a outras 77

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A Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) instaurou um inquérito aos dois directores escolares citados na investigação do PÚBLICO sobre a entrada em escolas de influenciadores que fazem negócio com a sexualização das crianças. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) anunciou esta quarta-feira a abertura deste inquérito, avançando ao PÚBLICO que as restantes 77 escolas visadas na investigação serão alvo de pedidos de informação sobre estas situações.

Para já, estão isentas de inquérito as 77 escolas que também receberam influenciadores, cujas actuações para crianças, a partir dos 9 anos, são marcadas por músicas misóginas e pornográficas. A IGEC “irá também solicitar informações sobre o sucedido às direcções das restantes escolas identificadas”, respondeu por email o MECI.

Quanto à abertura de inquéritos propriamente ditos a essas 77 escolas, o MECI diz que compete à IGEC fazê-lo, ou não, “após avaliação das informações que vier a recolher”. A recolha de informações por parte da IGEC configura um procedimento anterior à abertura de um inquérito, esclarece Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

O presidente desta associação acredita que convocar apenas os dois directores escolares que prestaram declarações na reportagem publicada pode ser uma “opção temporária” do ministério que visa apenas aqueles que “pecaram por falar”. Terem-se desresponsabilizado publicamente terá sido a razão para a abertura do inquérito, interpreta Filinto Lima. “Só podemos falar de justiça ou injustiça mais tarde, porque não sabemos o que acontecerá a seguir à recolha de informações às outras 77 escolas”, acrescenta.

“A instauração do inquérito não se prende com o facto de os dois directores terem prestado declarações ao jornal PÚBLICO”, garante o MECI. No entanto, a resposta do ministério diz que a instauração do inquérito aos dois directores que aceitaram falar na reportagem se prende com “a desresponsabilização que assumiram”.

Para Mariana Carvalho, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), todas as escolas visadas na reportagem têm de ser investigadas. Ainda assim, considera que começar os inquéritos apenas pelos dois directores citados é “compreensível”, porque “pode não ser viável abrir inquéritos a todas [as escolas] ao mesmo tempo”.

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