Jejum intermitente não emagrece mais do que uma dieta tradicional

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Afinal, o jejum intermitente não emagrece mais do que uma dieta de restrição calórica, uma dieta dita tradicional. Esta é a conclusão de uma revisão de 22 estudos clínicos publicada na Cochrane, uma organização não-governamental que reúne investigadores e profissionais de saúde, que mostra ainda que não pareceu ter um efeito clinicamente significativo em comparação com a ausência de intervenção.

O jejum intermitente envolve padrões alimentares nos quais se consome pouca ou nenhuma energia durante períodos prolongados, alternados com períodos de ingestão alimentar normal e, nos últimos anos, tem estado entre as tendências de saúde, prometendo muito benefícios metabólicos e de longevidade.

Luis Garegnani, investigador do Centro Associado Cochrane da Universidade Hospital Italiano de Buenos Aires, afirma, no entanto, que “o jejum intermitente simplesmente não parece funcionar para adultos com excesso de peso ou obesos que tentam perder peso. Pode ser uma opção razoável para algumas pessoas, mas as evidências actuais não justificam o entusiasmo que vemos nas redes sociais”.

Esta nova investigação analisou 22 ensaios clínicos com pessoas com excesso de peso ou obesas na Europa, América do Norte, China, Austrália e América do Sul e, comparativamente ao aconselhamento dietético tradicional (como restringir calorias ou comer diferentes tipos de alimentos) ou não fazer nada “o jejum intermitente pode ter pouco ou nenhum impacto na perda de peso e na qualidade de vida dos adultos com excesso de peso ou obesidade”.

Em média, as pessoas que seguiram o jejum intermitente perderam cerca de 3% do peso corporal, o que fica abaixo do limiar de 5% que os médicos costumam considerar clinicamente relevante para melhorar o estado de saúde.

Existem diferentes tipos de jejum intermitente, como comer apenas a horas específicas do dia (alimentação com restrição de tempo), jejuar em determinados dias da semana (jejum periódico) ou alternar entre dias de alimentação normal e dias de alimentação muito escassa (jejum em dias alternados).

Os níveis de obesidade estão a crescer em todo o mundo, o que aumenta a pressão sobre os sistemas de saúde. A obesidade, recordam os investigadores, “é uma condição médica grave caracterizada por um elevado teor de gordura corporal, que pode causar complicações relacionadas com o peso e levar a doenças graves (como a diabetes tipo 2) e à morte”. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a obesidade adulta mundial mais do que triplicou desde 1975. Em 2022, 2,5 mil milhões de adultos tinham excesso de peso, e, destes, 890 milhões viviam com obesidade.

Em Portugal, a obesidade afecta 28,7 % dos adultos, sendo que mais de metade da população apresenta excesso de peso (67,6 %). De acordo com os dados mais recentes do estudo Global Burden of Disease, de 2021, actualmente, o excesso de peso representa 7,5 % da mortalidade nacional e é o segundo factor de risco que mais contribui para a carga da doença em Portugal.

De acordo, com os investigadores “o mecanismo de perda de peso está relacionado com a restrição calórica, o aumento do metabolismo das gorduras, a maior sensibilidade à insulina e a melhoria do metabolismo da glicose”. São necessários mais estudos para avaliar os resultados do jejum intermitente a longo prazo. “A obesidade é uma doença crónica. Ensaios de curta duração dificultam orientar as decisões a longo prazo de doentes e clínicos”, afirmou Garegnani.

“Com a investigação actualmente disponível, é difícil fazer uma recomendação geral”, acrescentou Eva Madrid, autora sénior da Unidade Iberoamérica de Síntese de Evidência Cochrane. “Os médicos terão de avaliar caso a caso quando aconselharem um adulto com excesso de peso sobre como emagrecer”, rematou.

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