Joaquín Panichelli, o goleador que veio de baixo

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A Ligue 1 francesa está mais animada e imprevisível do que o habitual. Há, de facto, uma luta pelo título, e não o habitual passeio do PSG, que já perdeu mais jogos esta época em 22 jornadas (3) do que em toda a época passada (2). O surpreendente Lens continua a ser uma pedra no sapato dos parisienses e não podemos excluir desta conversa o Lyon, treinado por Paulo Fonseca, que só ganha desde meados de Dezembro do ano passado e que se vai aproximando da frente. Um pouco mais atrás, em 7.º, vem o Estrasburgo, que tem sido notícia por ser, na prática, um clube-satélite do Chelsea, entre negócios de jogadores e “rapto” de treinadores.

E por ter no ataque um argentino de 23 anos, já internacional, que é o segundo melhor marcador do campeonato. Já ouviram falar de Joaquín Panichelli? Vão ouvir falar mais. Panichelli tem sido uma das grandes revelações da Ligue 1, já com 14 golos marcados esta época, 12 no campeonato – foi dele o golo que deu o empate (2-2) neste sábado no Vélodrome frente ao Marselha – apenas atrás do britânico do Marselha Mason Greenwood, que também marcou no jogo deste sábado.

É natural que só agora se oiça falar de Panichelli. Na época passada, era goleador na segunda divisão espanhola e, antes disso, andava nas reservas do River Plate, sem nunca ter jogado na equipa principal. Agora, para além de ser um dos melhores avançados do campeonato francês, já é internacional A pela Argentina – entrou para o lugar de Lionel Messi aos 86’ de um particular em Luanda frente a Angola. E já se discute a sua eventual presença entre os eleitos de Scaloni para o Mundial deste Verão.

Esquecido pelo River

Panichelli começou a aprender a jogar futebol nas escolas do Racing de Córdoba, clube da sua terra natal, e, entre 14 e os 18 anos foi quatro vezes fazer testes num dos “grandes” de Buenos Aires, o Boca Juniors. Foram várias rejeições sucessivas até que lhe disseram que ia ficar. De imediato o jovem arranjou a sua vida para se estabelecer na capital e esperar, um dia, jogar pela equipa de Maradona. Esse dia nunca chegou porque o Boca nunca formalizou a sua contratação. Piero Foglia, o seu agente, de imediato o encaminhou para o River Plate.

Na altura, Panichelli era mais um médio do que um avançado-centro, mas os técnicos do River viam nele um goleador. Esteve dois anos ligado aos “millonarios”, mas nunca lhe deram uma oportunidade na primeira equipa – Marcelo Gallardo, o treinador, chegou a convocá-lo duas vezes, mas nunca lhe deu minutos. E, em 2022, o River libertou-o sem o ter aproveitado. E aqui é altura para falarmos do pai, Gérman Panichelli, que também foi futebolista e que também foi jogador do River sem nunca ter verdadeiramente jogado.

Panichelli sénior também passou pelo Racing Córdoba antes de se destacar como goleador no futebol boliviano, no Blooming e no The Strongest. Chamou a atenção de Cesar Menotti, que o chamou para o River Plate em 1988. Ao segundo treino, rompeu os ligamentos cruzados do joelho esquerdo e nunca chegou a estrear-se pelo River – pouco depois, retirou-se. Acabaria por reinventar-se como escritor de sucesso na Argentina, autor de livros policiais ambientados no futebol.

De volta a Panichelli júnior, foi dispensado do River e aproveitado pelo espanhol Alavés, então na segunda divisão. Começou a ter minutos na fase final de 2022-23, numa altura em que a equipa lutava para subir, mas, no jogo que decidia a promoção, sofreu a mesma lesão que o pai tinha sofrido 35 anos antes – rotura de ligamentos no joelho esquerdo. Só voltou a jogar quase um ano depois, já com o Alavés na primeira divisão, mas com pouca influência.

A ausência prolongada, conta Panichelli, foi uma oportunidade para se fortalecer – ganhou 8kg de massa muscular. E regressou um “bicho”, com maior potência e mantendo as características técnicas. Na época seguinte, foi emprestado ao Mirandés, da segunda divisão e explodiu: 21 golos marcados, segundo “pichichi” do escalão, apenas atrás de Luis Suárez, o colombiano que agora brilha no Sporting. E bastou uma época para o Estrasburgo, financiado pela BlueCo (também dona do Chelsea), o ir buscar ao Alavés por 16,5 milhões. Pelo que Panichelli está a fazer, foi barato.

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