José Mourinho fala de classificações reais e virtuais

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O treinador José Mourinho afirmou neste domingo que existem duas classificações na I Liga portuguesa de futebol, a real e a virtual, e que se “agarra” à segunda para motivar o plantel do Benfica, antes da 24.ª jornada.

“Há classificações reais e virtuais. A real é a que conta, mas, se nós nos quisermos agarrar à virtual, há uma diferença fundamental. A real é a real, mas, como líder de um grupo, tenho de me agarrar também à virtual e essa é uma motivação para nós. Sabemos perfeitamente o que tem acontecido”, vincou o setubalense, de 63 anos.

Em conferência de imprensa de antevisão ao duelo em casa do Gil Vicente, José Mourinho abordou as polémicas de arbitragem em algumas vitórias dos rivais FC Porto e Sporting, que tiveram novo capítulo na recepção dos portuenses ao Arouca.

“Quero ficar no Benfica, mas com um campeonato que seja único e não haja dois. Não gosto de jogar ao mesmo tempo o campeonato real e virtual. Neste momento, estamos a jogar dois. Quero respeitar o meu contrato com o Benfica e se o Benfica quiser ficar comigo mais anos, assino sem acrescentar nenhuma vírgula, mas não quero jogar mais dois campeonatos”, avisou o treinador, que não quis comentar a grande penalidade assinalada ao FC Porto na recta final da partida, de forma directa.

Pela frente, os “encarnados” terão o Gil Vicente, a equipa-sensação da temporada, ao cimentar-se na quinta posição da tabela classificativa, o que leva o treinador a esperar um embate “difícil”, na esperança que o seja apenas devido ao adversário.

“O Gil Vicente está em quinto lugar e tem feito um campeonato extraordinário. Há um grande trabalho estrutural e o mister [César Peixoto] tem sabido potenciar ao máximo os seus jogadores e fazer uma grande equipa. Vai ser um jogo difícil. Nós esperamos que seja só difícil pelo adversário”, alertou o treinador do clube da Luz.

Para o encontro, José Mourinho revelou as ausências, devido a lesão, de Sudakov e Bruma, e também apontou que Lukebakio não poderá jogar de início e deve ficar novamente fora das opções, apesar de poder integrar a convocatória para o duelo.

“O Sudakov foi lesionado para Madrid, com muito poucas possibilidades de jogar. O Lukebakio não está lesionado, mas numa situação que não é fácil. Em Madrid, ele só poderia ser utilizado nos últimos 10 minutos de jogo e, no caso de estarmos empatados, como é que jogaria mais 30, em caso de prolongamento? O Ivanovic entrou para dar velocidade do lado esquerdo, atacar mais esse espaço e ser mais uma presença na área”, explicou, sobre a entrada do ponta-de-lança para o flanco.

O caso Prestianni

Mourinho também falou sobre o caso de alegado racismo que envolveu o jogador do Benfica Gianluca Prestianni, defendendo o seu posicionamento no caso.

“Acho que quem tomou a posição correcta fui eu. Não defendi o meu, nem ataquei o outro. Quis ser imparcial, num caso que, eventualmente, poderá ser de grande gravidade. Se o meu jogador não respeitou os meus princípios e os do Benfica, a sua carreira comigo e no Benfica chega ao fim. Agora, a presunção de inocência é um direito humano”, começou por realçar Mourinho, em conferência de imprensa.

Acusado de ter proferido insultos racistas ao brasileiro Vinicius Jr, jogador do Real Madrid, no jogo da primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, Prestianni não contará com o perdão de José Mourinho se for confirmado que isso aconteceu.

“Eu continuo com o ‘se’. Infelizmente, para afastar o jogador [do duelo da segunda mão], a UEFA descobriu um artigo qualquer como motivo para o suspender. Eles também foram por essa direcção de não meter um ‘se’, que devia ter sido posto. Se o jogador for efectivamente culpado, não voltarei a olhar para ele da mesma forma como tenho olhado, mas tenho de meter muitos ‘ses’ à frente”, reforçou o técnico, que repudiou de uma forma veemente “qualquer tipo de discriminação, preconceito e ignorância”.

Mourinho também abordou o pedido de camisola de Sidny Cabral a Vinicius Jr. no final da partida entre os dois clubes no Santiago Bernabéu: “Não acho que a camisola seja criticável, mas seria evitável. É uma prática normal os jogadores trocarem camisolas, sobretudo em jogos grandes que marcam uma carreira. Ainda é mais natural que tentem trocar com jogadores que se identificam ou admiram por serem de nível ‘estratosférico’. Seria evitável, pelo que aconteceu durante a semana, mas não mais do que isso”, vincou o setubalense, de 63 anos.

O Benfica, terceiro colocado, com 55 pontos, visita o Gil Vicente, quinto, com 40, na segunda-feira, a partir das 20h15, no Estádio Cidade de Barcelos, em jogo da 24.ª ronda da I Liga de futebol, com a arbitragem de João Gonçalves, da associação do Porto.

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