Quando a magia tecnológica ainda não tinha colonizado as mentes e a maior parte se apaziguava com os fados da Divina Providência e dos seus insondáveis desígnios, os fenómenos atmosféricos não tinham nome de gente. De repente, num dia quente de Agosto, desabava a fúria dos elementos em forma de trovões, granizo, vendaval. Deus a traga mansinha, dizia-se em surdina perante o avolumar das nuvens, os clarões e o ronco assustador dos céus, os primeiros pingos grossos da água. Não vinha mansinha. Em menos de meia hora, os milharais, as hortas, os cachos já com pintor no bago, tudo o que tinha sido fruto de trabalho e cuidados extremos ficava reduzido à ruína de um ano de colheitas perdido. Buscava-se o ramo da oliveira benzida em Domingo de Ramos; acendia-se uma vela; rezava-se a St.ª Bárbara; esconjurava-se e amaldiçoava-se o trabalho da terra.
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