“Levava a história nos seus passos e a esperança na sua voz”: como será recordado Jesse Jackson

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Político, candidato nas primárias presidenciais do Partido Democrata norte-americano em 1984 e 1988, e histórico activista pelos direitos das comunidades negras dos Estados Unidos da América, Jesse Jackson, que morreu na madrugada desta terça-feira, “não foi simplesmente um líder dos direitos civis, foi ele próprio um movimento”, afirma o reverendo e amigo de longa data Al Sharpton, também ele uma referência do activismo afro-americano. O seu “mentor”, Jesse Jackson, “levava a história nos seus passos e a esperança na sua voz. Uma das maiores honras da minha vida foi aprender ao seu lado”, referiu.

Al Sharpton tinha apenas 12 anos e era um jovem pregador numa igreja de Brooklyn, em Nova Iorque, quando conheceu Jesse Jackson, 13 anos mais velho, já empenhado na luta anti-racista e no movimento pelos direitos civis das comunidades negras dos EUA. Foi um professor de activismo, assim o descreve — tornaram-se amigos próximos, unidos na mesma luta, e passavam sempre o Natal juntos, até ao último, referiu Al Sharpton nesta terça-feira, em conferência de imprensa transmitida pela Associated Press.

Jesse Jackson foi um dos últimos a falar com Martin Luther King antes do seu assassinato, recorda. “Nunca mencionava o assunto, mas motivou-o”, diz Sharpton, a quem Jackson transmitiu a necessidade de “manter o sonho [de King] vivo”, e fê-lo: “Quando Reagan foi eleito e houve um contra-ataque aos direitos civis, Jesse Jackson assumiu a dianteira, com John Lewis e outros, para restaurar o que King tinha conseguido.”

“Romantizamos os anos 1960 [e as conquistas da época] como se nunca tivessem sido desafiados. Foram desafiados, tivemos de renovar o Voting Rights Act [lei federal de 1965 contra a discriminação racial no direito ao voto] a cada cinco anos, tivemos de lidar com leis estatais, e foi o reverendo Jackson quem o fez”, acrescentou.

Benjamin Crump, reconhecido advogado norte-americano na área dos direitos civis, lembrou Jackson como o activista que “concebeu uma América mais justa e inclusiva, acreditou nela com fé inabalável e dedicou-lhe toda a sua vida — ao mesmo tempo que ensinava a próxima geração a levar a chama adiante.” Graças a ele, “existe um caminho mais amplo na política e na vida pública norte-americanas para líderes de cor”, remata, citado pela agência Reuters.

“Uma ponte viva entre várias gerações”

“Jackson foi mais do que um defensor dos direitos civis — foi uma ponte viva entre gerações, dando continuidade ao trabalho inacabado e à promessa sagrada do Movimento dos Direitos Civis“, afirmaram Martin Luther King III — o filho mais velho de Martin Luther King —​, e a sua mulher, Andrea King, em comunicado, acrescentando que Jackson “caminhou com coragem quando o caminho era incerto, falou com convicção quando a verdade era incómoda e esteve ao lado dos pobres, dos marginalizados e dos esquecidos quando tal não era popular”.

Num outro comunicado conjunto, publicado na rede social X, também Michelle e Barack Obama recordam o reverendo que “ajudou a liderar alguns dos movimentos pela mudança mais significativos da história humana. Desde a organização de boicotes e protestos, ao recenseamento de milhões de eleitores, até à defesa da liberdade e da democracia em todo o mundo.”

“Criou oportunidades para gerações de afro-americanos e inspirou muitos outros, nós incluídos”, escrevem os Obama, recordando que Michelle “teve um primeiro vislumbre de organização política à mesa da cozinha dos Jackson, quando era adolescente”. Já o ex-presidente, nota que “as duas históricas corridas presidenciais [em 1984 e 1988]” de Jackson sedimentaram as bases para a sua própria candidatura e eleição, vinte anos mais tarde, como primeiro Presidente negro dos EUA.

Também Kamala Harris, antiga vice-presidente norte-americana, prestou homenagem a Jesse Jackson, descrevendo-o como “um dos maiores patriotas” dos EUA. “Passou a vida a convocar-nos a todos para cumprir a promessa da América e a construir as coligações necessárias para tornar essa promessa em realidade”, escreveu na rede social X, acrescentando que Jackson deu voz àqueles que estavam “afastados do poder e da política”, cita o Guardian.

“Um homem bom, com muita personalidade”, afirma Donald Trump

Na sua Truth Social, o Presidente norte-americano, Donald Trump, descreveu Jesse Jackson como “um homem bom, com muita personalidade, garra e ‘astúcia de rua’”.

Aproveitando o momento para atacar “todos os democratas” e a esquerda radical, que o rotulam como “racista”, Trump publicou inúmeras imagens em que surge acompanhado de Jackson, e recordou-o: “Foi uma força da natureza como poucos antes dele. Teve muito a ver com a eleição, sem reconhecimento nem crédito, de Barack Hussein Obama, um homem que Jesse não suportava. Amava profundamente a sua família, e a eles envio as minhas mais sentidas condolências e pêsames.”

Benjamin Crump, reconhecido advogado norte-americano na área dos direitos civis, lembrou Jackson como o activista que “concebeu uma América mais justa e inclusiva, acreditou nela com fé inabalável e dedicou-lhe toda a sua vida — ao mesmo tempo que ensinava a próxima geração a levar a chama adiante.” Graças a ele, “existe um caminho mais amplo na política e na vida pública norte-americanas para líderes de cor”, remata, citado pela agência Reuters.

Hakeem Jeffries, principal líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes dos EUA recorda aquela que foi uma “voz lendária dos que não têm voz, um poderoso defensor dos direitos civis e um extraordinário pioneiro. […] Durante décadas, trabalhando no seio da comunidade, inspirou-nos a manter viva a esperança na luta pela liberdade e justiça para todos.”

Entre algumas das muitas reacções internacionais à morte de Jesse Jackson estão os testemunhos de Cyril Ramaphosa, Presidente sul-africano, que sublinhou que “as incansáveis campanhas do reverendo Jesse Jackson contra o apartheid e o seu apoio à luta pela libertação constituíram uma contribuição de grande relevo para a causa global anti-apartheid“, bem como de Diane Abbott, a primeira mulher negra a ser eleita deputada no Parlamento britânico, que recordou um homem “muito inteligente, caloroso e extremamente carismático”.

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