É mais um banqueiro a assinalar que é preciso mais: depois dos líderes do BPI e do Santander, o presidente executivo do Banco Comercial Português veio esta quarta-feira dizer que as medidas que estão em vigor para as populações e empresas das regiões nacionais afectadas pelas tempestades e inundações dos últimos meses terão de ser alargadas, nomeadamente para durarem mais tempo e para terem um modelo distinto. Miguel Maya considera, ainda assim, que o Governo e os autarcas têm sabido olhar para as necessidades.
“Nas moratórias, parece-me evidente que a moratória por três meses não é suficiente. Mas não ouvi nunca dizer por parte de nenhum governante que era suficiente”, declarou Miguel Maya na apresentação de resultados anuais relativos a 2025 (lucro recorde de 1018 milhões de euros), em Oeiras, esta quarta-feira, 25 de Fevereiro.
Há uma moratória que prevê que os clientes bancários com crédito à habitação e as empresas tenham três meses sob moratória, podendo não pagar as prestações nesse período (com as prestações a serem adicionadas ao fim dos contratos). Depois, o Governo estuda prolongar a moratória para as empresas que necessitem por 12 meses (ainda que o ministro das Finanças tenha depois dito que as famílias também pudessem estar contempladas).
Miguel Maya espera que o novo desenho seja “mais estruturado”, “de forma diferente e envolvendo mais produtos”. O Governo ainda está a trabalhar nesse desenho.
Incluir crédito pessoal
No caso dos clientes particulares, Miguel Maya tem já uma proposta e para o imediato. “Tenho muita dificuldade em perceber que o crédito pessoal não esteja abrangido por moratórias. Porque é que o financiamento aos estudos dos filhos, o tratamento médico e da viagem que a pessoa entendeu fazer e fez, não fica sujeito também a essas moratórias?”, questionou o presidente do banco. A necessidade de aprofundar o âmbito das moratórias foi reforçada pelo líder do banco na sua intervenção.
Até aqui, o BCP concedeu 383 moratórias com créditos à habitação que totalizam 46 milhões de euros. Nas empresas, foram colocados 325 empréstimos sob moratórias, no montante global de 56 milhões de euros.
Favorável a fundo perdido, mas há custos
Para as linhas de crédito disponibilizadas pelo Governo, operacionalizadas pela banca comercial e proporcionadas pelo Banco Português de Fomento, houve já 1011 candidaturas submetidas para aceder por via do BCP, num total de 274 milhões de euros.
Questionado sobre se será preciso mais medidas a fundo perdido, Miguel Maya mostrou-se favorável, mas alertou para riscos. “Não compete ao banco fazer essa apreciação”. “No abstracto, é sempre bom, mas isso tem um custo. É uma equação difícil de equilibrar e quem está ao leme do país no que respeita a gestão das contas públicas é que tem a informação disponível”, continuou.
O presidente do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, também tinha já dito, no início do mês, que poderia ser preciso mais medidas de apoio, e Pedro Castro e Almeida, que está de saída da presidência do Santander em Portugal para ir para um cargo internacional, afirmou logo que o grau de destruição “não se vai resolver com moratória e mais crédito”.
Mas Miguel Maya declarou esta quarta-feira que o Governo e os autarcas têm dado provas de que estão a acompanhar a situação: “O facto de ainda hoje ter sido publicado o conjunto adicional de municípios abrangidos demonstra que há preocupação”. Até aqui, havia 68 concelhos sob calamidade, devido à tempestade Kristin, número que subiu agora para 90, com os efeitos das inundações posteriores.
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, já assumiu abertura para que as medidas de apoio pudessem ser reforçadas, e, para já, o montante que está disponibilizado nas linhas abertas (para suprir necessidades de tesouraria e para investimento) vai ser reforçado, segundo foi anunciado pelo líder do Banco Português de Fomento. O Governo espera conter o impacto nas contas públicas.
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