Foi há seis anos que o cabeleireiro Cláudio Pacheco sentiu “uma inquietação” que partilhou com a actriz e sua cliente Liliana Santos: gostava de fazer algo que tivesse impacto social. Porque não fazer cortes de cabelo a um preço simbólico e cujo valor pudesse doar a uma instituição? Assim nasceu o projecto Love Cut, uma iniciativa solidária, que acontece em dia de eleições, no próximo domingo, das 10h às 20h, no Chiado Studio, em Lisboa. O corte tem um valor simbólico de dez euros e reverte na totalidade para a Fundação O Século.
“Para as instituições é maravilhoso que as pessoas se lembrem delas fora da época do Natal”, começa por dizer Catarina Capinha, directora da Área Social da Fundação O Século, ao PÚBLICO, confessando que está preocupada com o dia — que foi decidido há muito, no Verão, altura em que não se pensou nas presidenciais —, com receio que a iniciativa tenha menos afluência, mas que tem incentivado os conhecidos para irem cortar o cabelo com um “depois vais votar no teu melhor!”.
Quando Cláudio Pacheco teve a ideia, esta foi crescendo de “forma orgânica”, diz, porque foi conseguindo mobilizar as suas clientes, entre elas muitas celebridades, além de Liliana Santos, que é também embaixadora da Fundação O Século, o profissional refere os nomes de Daniela Melchior, Jessica Athayde ou Mafalda Castro, que ajudam na promoção desta iniciativa. Mas há mais, como as cerca de três dezenas de profissionais que vão estar no Chiado Studio a trabalhar. “Vêm de todo o país ao meu salão para trabalhar num dia de descanso”, elogia. E há marcas que “ajudam”, continua, como a L’Oréal Professionnel ou a agência L’Agence Lisboa, que contribui para que a iniciativa “chegue a mais pessoas” através das redes sociais de algumas celebridades; além de, este ano, se juntar a Delta Q e a Adega Mayor, diz.
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Esta é a terceira edição, envolve tal trabalho que Cláudio Pacheco só consegue fazê-la de dois em dois anos, diz ao PÚBLICO. “O projecto vive da minha cara, mas por detrás há um conjunto de pessoas que ajudam a torná-lo possível”, dando o exemplo de profissionais de imagem que acompanham a iniciativa. Ninguém cobra um cêntimo, faz questão de frisar, lembrando que os cabeleireiros vêm do Minho ao Algarve, inclusive as profissionais que trabalham no salão da mãe, em Leiria, salienta. “É incrível sentir esta união dos profissionais”, exclama. Para Catarina Capinha todos são importantes e sublinha que não só o valor que reverterá para a instituição é relevante, como o “tempo que toda a gente doou” a esta causa.
Pobreza envergonhada
Se no primeiro ano, o projecto começou por se prolongar durante 15 dias, na segunda edição já foi escolhido um único dia, tal como acontecerá neste domingo. “Atendemos as pessoas por ordem de chegada e não dá para escolher o cabeleireiro. Pedimos para virem de cabelo lavado e seco. Depois fazemos um diagnóstico e o corte”, informa Cláudio Pacheco. O corte tem o custo de dez euros — num dia normal, um corte pelo cabeleireiro, que o art director do Chiado Studio, custa 95€ —, mas quem quiser pode doar mais do que esse valor. Já aconteceu uma cliente deixar 200 euros, diz Cláudio Pacheco. Há dois anos foram angariados cerca de dois mil euros, este ano, gostava de chegar aos 300 clientes, o que seria um valor de partida de três mil euros, contabiliza.
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Quem participa no Love Cut? Cláudio Pacheco responde que a maioria não frequenta o seu salão, embora também atenda clientes. Nas anteriores edições, chegaram estudantes, desempregadas e pessoas que não cortavam o cabelo há algum tempo. O profissional recorda alguém que não o fazia há cinco anos. “Há uma pobreza que abrange cada vez mais pessoas, é uma pobreza envergonhada, de pessoas que cortam custos em aspectos tão básicos como cortar o cabelo”, aponta Catarina Capinha, focando que o tratamento do cabelo ou dos dentes “é tudo menos supérfluo” porque as pessoas podem ser discriminadas pelo seu aspecto físico na hora de responder a uma entrevista de emprego, por exemplo. Com esta iniciativa, “queremos chegar a essas pessoas”, reforça a responsável. “Não só estamos a ajudar a fundação, mas também essas pessoas”, diz o cabeleireiro.
E, no final, o que faz a fundação com o valor angariado? Este reverte para as crianças e jovens, dos 6 aos 18 anos, que vivem nas casas de acolhimento, para financiar actividades extracurriculares, para um presente de anos mais personalizado ou para umas férias “como qualquer outra criança”, responde Catarina Capinha. “Serve para melhorar e impactar a sua qualidade de vida”, completa, lembrando que a instituição “acompanha diariamente 600 pessoas, desde as casas de acolhimento ao apoio domiciliário, creche e pré-escolar”.
Além do orçamento da fundação, esta recebe um apoio previsto do Estado e vive também de apoios como iniciativas como esta, mas tem também tem uma oferta turística, no Estoril, desde 2013, no edifício icónico da colónia balnear, em frente à praia de São Pedro do Estoril; e, mais recentemente, na Ericeira, no Boomerang do Século, uma moradia que foi doada à fundação e que esta transformou num turismo, com bungalows incluídos. “As pessoas podem ajudar cortando o cabelo ou indo passar um fim-de-semana fora”, remata a directora da área social.
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