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O luso-brasileiro e extremista de direita Bruno Silva, 30 anos, que ameaçou de morte a jornalista brasileira Stefani Costa, 36, deve ser levado a julgamento, segundo informa a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) de Portugal. Em notas publicadas nesta sexta-feira, 27 de fevereiro, tanto a corporação quanto o MP assinalam que Bruno é considerado “acusado” por incitamento ao ódio e à violência.
O MP assinala que, após a conclusão das investigações sobre o caso decidiu, em 23 de fevereiro, acusar Bruno para levá-lo a julgamento em Tribunal Coletivo. “Da investigação realizada resulta que o arguido terá desenvolvido, pelo menos desde 2024, de forma reiterada e pública, atividade de propaganda ideológica de matriz extremista, com difusão de conteúdos de natureza racista e xenófoba através de redes sociais e outras plataformas digitais”, frisa.
O extremista está em prisão preventiva desde 23 de outubro de 2025. Um mês antes, ele havia postado nas redes sociais uma mensagem em que oferecia 100 mil euros (R$ 600 mil) a quem eliminasse a repórter, que é correspondente em Portugal do Ópera Mundi, da plataforma UOL. Os ataques contra Stefani eram frequentes e vinham desde junho de 2024.
A ameaça não foi apenas contra a jornalista. O texto do extremista afirmava: “Estou a oferecer um dos meus apartamentos no centro de Lisboa, avaliado em média em 300 mil euros, a quem realizar um massacre e exterminar pelo menos 100 brasileiros em Portugal, e darei um bônus adicional de 100 mil euros a quem me trouxer a cabeça da Stefani Costa.”
Segundo a Polícia Judiciária, as investigações envolvendo Bruno foram conduzidas por meio da Unidade Nacional de Contraterrorismo, no âmbito do inquérito sob responsabilidade do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.
O luso-brasileiro, destaca a PJ, é acusado de “prática dos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, instigação pública à prática de homicídio, apologia pública de crime, gravações ilícitas e detenção de arma proibida, por ter difundido nas redes sociais uma publicação na qual incitava à violência contra um grupo de pessoas de nacionalidade estrangeira”.
Alarme social
A Polícia Judiciária reforça que a publicação de Bruno, na qual ele oferecia, como recompensa, um apartamento no centro de Lisboa a quem realizasse um massacre e exterminasse cidadãos brasileiros e bônus adicional de 100 mil euros a quem atentasse contra a vida da jornalista brasileira, se tornou viral, “com enorme repercussão e alarme social, afetando gravemente o sentimento de tranquilidade, de segurança e de paz pública, gerando a indignação e o repúdio em vários quadrantes”.
Com Bruno, que já tinha antecedentes policiais por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência e elevado conhecimento no âmbito da segurança digital, foram apreendidos vastos elementos probatórios, “designadamente, um elevado acervo de prova digital relativo ao seu radicalismo ideológico”.
Quando da prisão do extremista de direita, Stefani disse ao PÚBLICO Brasil que a ação da Polícia Judiciária era apenas um passo para que ele fosse punido dentro do que determina a lei. “Foi um alívio, mas sei que é só o começo”, assinalou. Na visão dela, Portugal precisa ir além e aprovar uma lei que puna, efetivamente, os crimes de ódio.
A Polícia Judiciária assinala que “desenvolve uma atividade permanente e sistemática na detecção, prevenção e combate aos designados crimes de ódio”. Estudo divulgado recentemente pelo Observatório Europeu dos Meios de Comunicação Digitais (EDMO) mostra que Portugal se tornou o epicentro da Europa na disseminação de notícias falsas para incitar a violência contra imigrantes.
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