Mais duas jogadoras iranianas terão recusado embarcar no voo para abandonar a Austrália

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Duas atletas da selecção nacional de futebol feminina do Irão terão recusado embarcar no voo em que a comitiva iraniana abandonou a Austrália após a participação na Taça da Ásia, nesta terça-feira, aumentando para sete o número de jogadoras que pediram asilo ao Governo australiano. Às restantes cinco futebolistas, foi na segunda-feira confirmada a concessão de vistos de asilo temporário para poderem permanecer no país. O medo de represálias no regresso ao Irão cresceu após a equipa ter permanecido em silêncio durante o hino nacional iraniano no jogo de abertura da competição.

A comitiva embarcou em pelas 22h45 locais, 11h45 em Lisboa, num avião com destino a Kuala Lumpur, sem indicação sobre o percurso que fariam a partir da Malásia para chegar ao Irão, reportaram os meios de comunicação locais, citados pelo Guardian. Antes da partida, as jogadoras, ladeadas por responsáveis da comitiva e escoltadas pela polícia federal australiana, foram interpeladas por jornalistas no aeroporto de Sydney, onde as esperava um grupo de manifestantes e apoiantes da selecção do Irão.

Algumas das futebolistas falaram aos jornalistas através de uma aplicação de tradução enquanto aguardavam o embarque para Kuala Lumpur, avançou o Sydney Morning Herald, e terão manifestado a vontade de regressar a casa, para junto das suas famílias. Questionada sobre o que tinha acontecido às cinco colegas de equipa que pediram asilo ao Governo australiano, uma delas respondeu: “Tornaram-se refugiadas”.

Sobre se gostaria de seguir o mesmo caminho por medo de represálias no regresso ao seu país, confessou que não, acrescentando: “O Irão é casa.”

Farak, uma das apoiantes da equipa, deslocou-se até ao aeroporto com uma gravação que dizia ser da mãe de uma das jogadoras, pedindo-lhe que permanecesse na Austrália. Afirmou ter recebido o áudio através de um amigo no Irão e planeava reproduzi-lo num altifalante quando a jogadora chegasse ao aeroporto.

A oportunidade não surgiu, uma vez que a equipa abandonou o voo doméstico em que viajou até Sydney por uma saída traseira do avião e entrou imediatamente num autocarro que transportou as atletas até ao terminal internacional, onde esperariam pelo voo para Kuala Lumpur.

“Tenho quase a certeza de que, se ela ouvir isto, vai querer ficar”, disse ao Guardian, antes de as jogadoras embarcarem no autocarro. “É tão triste”, acrescentou. “E se alguma coisa acontecer a esta rapariga?”

A Austrália anunciou na segunda-feira, 9 de Março, que concedeu vistos de asilo a cinco jogadoras da selecção nacional de futebol feminina do Irão, para que as atletas possam permanecer no país, depois de terem solicitado ajuda por temerem represálias no seu país natal.

Apesar de o Governo australiano não ter ainda confirmado a informação veiculada pela imprensa local, as duas jogadoras que terão também optado por não regressar ao Irão deverão ter acesso ao mesmo estatuto, depois de o ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, ter estendido a oportunidade a todas as atletas na segunda-feira: “Estão numa situação terrivelmente difícil com as decisões que têm de tomar. Mas a oportunidade continuará a existir para falarem com responsáveis australianos, se assim o desejarem.”

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