No Dubai e noutros grandes centros comerciais do Médio Oriente, muitas lojas estão fechadas ou a funcionar com uma equipa reduzida, uma vez que o conflito crescente na região está a causar caos nas empresas e nas viagens.
A guerra aérea entre os EUA e Israel contra o Irão expandiu-se desde segunda-feira, sem aparente fim à vista, com Teerão a disparar mísseis e drones contra os Estados do Golfo, em retaliação aos bombardeios do fim-de-semana que mataram o líder supremo do Irão e, segundo relatos, dezenas de civis iranianos, incluindo um ataque a uma escola primária feminina.
O Chalhoub Group, que administra 900 lojas de marcas como Versace, Jimmy Choo e Sephora em toda a região, disse que suas lojas no Bahrein foram fechadas, enquanto outros mercados, incluindo os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Jordânia, permaneceram abertos, embora a presença dos funcionários fosse “voluntária”.
“Operamos com uma equipa reduzida formada por membros que se voluntariaram e se sentem confortáveis em vir à loja”, informa Lynn al Khatib, vice-presidente de comunicações da Chalhoub à Reuters, acrescentando que a equipa de liderança da empresa visitou pessoalmente o Dubai Mall e o Mall of the Emirates na manhã de segunda-feira para verificar como estavam os funcionários.
A Kering, proprietária da Gucci, revela que as suas lojas foram temporariamente fechadas nos Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Qatar e que suspendeu as viagens para o Médio Oriente.
Crescimento do luxo sobre ameaça
As acções dos grupos de luxo LVMH, Hermès e Richemont, proprietária da Cartier, caíram entre 4% e 6,5% na segunda-feira, à medida que os investidores assimilavam os impactos do conflito.
O Médio Oriente ainda representa uma pequena parte dos gastos globais com luxo — entre 5% e 10%, de acordo com o analista Piral Dadhania, do RBC. Mas, no ano passado, a região foi a que apresentou o melhor desempenho no sector de luxo, de acordo com a consultoria Bain, enquanto as vendas de malas mais caras estagnaram no resto do mundo.
Com os aeroportos fechados, o fluxo turístico para a região foi interrompido abruptamente; e os ataques com mísseis — incluindo um que danificou o hotel cinco estrelas Fairmont Palm, no Dubai — provavelmente dissuadirão os viajantes, especialmente se o conflito se prolongar.
“Se assumirmos que se trata de um mercado [de retalho de viagem] de cinco a seis mil milhões de dólares e digamos que vai ficar fechado durante um mês, estamos a falar de centenas de milhões de dólares que estão definitivamente em risco”, avalia Victor Dijon, sócio sénior da consultora Kearney. Se os compradores do Médio Oriente não puderem viajar para Paris ou Milão, isso também poderá prejudicar as vendas de luxo na Europa, acrescentou.
As marcas de luxo têm investido em novas lojas e eventos exclusivos em toda a região. Poucos dias antes do conflito começar, a Cartier inaugurou uma exposição de alta joalharia no Keturah Park, no Dubai. A Cartier e a Richemont não responderam aos pedidos de comentários da Reuters.
O conglomerado de luxo LVMH também apostou muito nesta região. No mês passado, a Louis Vuitton, a sua marca principal, organizou uma exposição no hotel Jumeirah Marsa Al Arab, e a retalhista de produtos de beleza Sephora lançou a sua primeira marca de beleza saudita.
A LVMH não divulga números específicos para a região, mas em Janeiro a directora financeira Cecile Cabanis disse que o Médio Oriente tem “apresentado um crescimento significativo”. Agora, não respondeu a um pedido de comentário sobre como os seus negócios podem ser afectados pelo conflito.
Novos investimentos
O Médio Oriente também atraiu novos investimentos de players do mercado de massa. A retalhista de fast-fashion Primark disse em Janeiro que planeia abrir três lojas no Dubai em Março, Abril e Maio, seguidas por lojas no Bahrein e no Qatar até ao final do ano.
“A Primark está prestes a abrir a sua primeira loja no Dubai no final de Março, mas é evidente que esta é uma situação em rápida evolução, que estamos a acompanhar de perto”, declara um porta-voz da Associated British Foods, proprietária da Primark, à Reuters.
As lojas da Apple no Dubai permaneceram fechadas até à manhã de quinta-feira, segundo o site da empresa, enquanto a retalhista sueca de fast-fashion H&M informou que as suas lojas no Bahrein e em Israel estão fechadas. O grupo de bens de consumo Reckitt orientou todos os funcionários no Médio Oriente a trabalharem em casa, fechou temporariamente a sua fábrica no Bahrein e suspendeu todas as viagens de negócios para a região até novo aviso.
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