Mary Beth Hurt (1946-2026), uma actriz orgulhosamente pouco ambiciosa

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Mary Beth Hurt, actriz que se fez nos palcos de Nova Iorque e nos ecrãs de cinema e morreu este sábado aos 79 anos, não era uma grande estrela. Era, em parte, algo auto-imposto. Não se considerava ambiciosa, como disse ao New York Times em 1989, e até teria chegado mais longe caso tivesse feito por isso. Mas gostava de “não trabalhar”. Não só os papéis de protagonista que lhe ofereciam não eram suficientemente interessantes, mas também sentia que lhe era mais importante, por exemplo, a família. Isto incluía os seus dois filhos e aquele que foi o seu marido até ao fim, o realizador e argumentista Paul Schrader, para quem fez filmes como Perigo Incerto, de 1992, Confrontação, de 1997, o Acompanhante, de 2007, e Adam Renascido, de 2008.

A filha, Molly Schrader, deu a notícia da morte no Instagram no domingo: “Ontem de manhã perdemos a minha mãe, Mary Beth, para a [doença de] Alzheimer depois de uma batalha de uma década com a doença. Ela era uma actriz, uma esposa, uma mãe, uma tia, uma amiga, e abordou todos esses papéis com graça e uma bravura gentil”, pode ler-se.

Hurt, cujo apelido original era Supinger, nasceu em Marshalltown, Iowa, a mesma terra da actriz Jean Seberg, que chegou a ser sua babysitter. Foi na Universidade de Iowa que estudou artes dramáticas, tendo-se mudado depois para a Universidade de Nova Iorque. Nessa cidade, estreou-se nos palcos em 1973, no Public Theater de Joseph Papp, com quem trabalhou muito depois. Daí passou para a Broadway, mas, na mesma entrevista do final dos anos 1980, falava do quão difícil era ganhar a vida como actriz nos palcos de Nova Iorque sem saber cantar em grandes produções, já que a Broadway não apostava muito no tipo de peças dramáticas em que ela se especializara. Foi, ainda assim, nomeada para três prémios Tony.

Conheceu William Hurt, o seu primeiro marido cujo apelido manteve até ao fim, no curso. Foram casados entre 1971 e 1982. Estreou-se no cinema em Interiores, de Woody Allen, de 1978, tendo tido um raro papel de protagonista, em Chilly Scenes of Winter, de Joan Micklin Silver, de 1979. Na década de 1980, contracenou, naquele que será dos seus papéis mais conhecidos junto dos portugueses, com Robin Williams em O Mundo Segundo Garp, de George Roy Hill. Fez também Morgue ao Domicílio, de Bob Balaban, e Escravos de Nova Iorque, de James Ivory, ambos em 1989.

Na década de 1990, participou em Seis Graus de Separação, de Fred Schepisi, e A Idade da Inocência, de Martin Scorsese, ambos de 1993. Trabalhou ainda com realizadores como Frank Perry, Martin Campbell, Joan Chen, Scott Derrickson, M. Night Shyamalan ou Jason Reitman.

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