São para já mais de 400 papagaios-do-mar mortos encontrados mortos em várias praias de Portugal, mas a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA BirdLife), que está monitorizar estes arrojamentos, acredita que o número real de aves vítimas do mau tempo seja bastante mais elevado. A SPEA pede ajuda aos cidadãos para conseguir ter uma melhor noção da dimensão real deste fenómeno.
O fenómeno não é inédito. No Inverno de 2022/23, Portugal contabilizou mais de 1700 papagaios-do-mar arrojados na costa em apenas duas semanas, também na sequência de más condições no mar.
“Sabemos que os casos estão a ocorrer ao longo de grande parte da costa, por isso é muito provável que os 400 registos que temos sejam apenas uma pequena parte do total. Precisamos da ajuda dos cidadãos para perceber a verdadeira dimensão da situação”, diz Hany Alonso, técnico sénior de Ciência na SPEA, num comunicado de imprensa divulgado esta quinta-feira. “Esta informação é essencial para identificar as espécies afectadas, estimar números e perceber qual o impacto nas populações”, justifica.
Segundo os responsáveis da SPEA os arrojamentos estão a ser detectados um pouco por todo o lado na costa de Portugal continental e também nos Açores, e incluem também gaivotas e alcatrazes, por exemplo.
“No continente, a SPEA tem informação de casos de muitas dezenas de aves arrojadas no litoral norte, na região de Peniche e na costa do sudoeste alentejano”, refere a nota de imprensa. “Situações semelhantes estão a ser reportadas na Galiza (mais de 400 registos) e na costa atlântica de França (mais de 200), indicando um fenómeno de grande escala no Atlântico europeu”, sintetiza.
Em Dezembro de 2022 e Janeiro de 2023, várias dezenas de tordas-mergulheiras e papagaios-do-mar, aves que frequentam a nossa costa no Inverno, também apareceram mortos nos areais. Normalmente, os papagaios-do-mar visitam Portugal de passagem nos meses de inverno, quando migram. Arrojamentos destas aves, mortos ou em estado débil, são relativamente comuns após tempestades fortes.
Exaustos e esfomeados
A explicação para o fenómeno que agora está a ocorrer é, por isso, mais ou menos óbvia e triste: com “um comboio de tempestades como o que temos vivido, são as más condições durante períodos prolongados que acabam por ter um impacto cumulativo: o mar agitado e a dificuldade em alimentar-se levam muitas aves à exaustão extrema”, afirmam os especialistas da SPEA.
“No caso dos papagaios-do-mar, se as aves tiverem dificuldade em alimentar-se durante períodos prolongados, podem ver a sua condição física deteriorar-se, acabando por arrojar já muito exaustos e com fraca condição física. Por isso, muitos acabam por morrer, mesmo depois de resgatados, pois já estão muito fracos” explica Hany Alonso, que lamenta: “Estas situações tenderão, provavelmente, a tornar-se mais frequentes na costa portuguesa, com as alterações climáticas a causar cada vez mais tempestades”.
Além das condições meteorológicas muito adversas, o arrojamento de aves marinhas pode também acontecer devido a outras causas, como capturas acidentais em artes de pesca, poluição e doenças, esclarece ainda a SPEA. Porém, desta vez, parece claro que as sucessivas e intensas tempestades, que atiçaram ventos e marés, terão sido a causa destas mortes.
A SPEA apela a que os cidadãos registem as aves que virem arrojadas, na plataforma ICAO (disponível online e como app) que é um programa de monitorização iniciado pelo Grupo de Trabalho com Aves Marinhas (GTAM) da SEO/BirdLife na década de 1980. O programa “serve como uma ferramenta para avaliar o estado ambiental dos oceanos, bem como para detectar e compreender as diferentes causas de mortalidade que afectam as aves marinhas, mas também mamíferos, tartarugas e outra fauna marinha”.
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