Miguel Loureiro, director artístico do São Luiz Teatro Municipal, irá assumir a direcção artística do Teatro do Bairro Alto (TBA), acumulando funções e ocupando assim o lugar deixado vago após a não recondução de Francisco Frazão. Quanto ao Museu do Aljube, e após ter sido conhecida esta quinta-feira a decisão do afastamento de Rita Rato (que, tal como Frazão, não será reconduzida para um terceiro mandato), passará a ser dirigido por Anabela Valente, antiga vogal do Conselho de Administração do Museu Nacional Ferroviário e ex-coordenadora do Gabinete de Estudos Olissiponenses.
Os nomes que substituem Francisco Frazão e Rita Rato, por nomeação directa, sem concurso, foram anunciados num curto comunicado, esta sexta-feira, pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC). O conselho de administração da entidade que gere as estruturas municipais de Lisboa informa ainda que “os restantes dirigentes dos equipamentos culturais serão reconduzidos nos respectivos cargos”.
Em declarações ao PÚBLICO na quinta-feira, Rita Rato garantiu não lhe terem sido dadas justificações para a saída. “Fui elogiada pelo meu trabalho, mas não me foram dados motivos objectivos para a não renovação.” Um dia antes, Francisco Frazão, que manifestara o desejo de permanecer à frente do teatro cuja nova vida dirigiu nos últimos sete anos, forma de fechar este ciclo refundador do TBA, preferia não se pronunciar sobre as justificações que lhe foram dadas para o afastar do cargo.
A saída de Frazão originou reacções fortes do meio cultural. O encenador e dramaturgo Tiago Rodrigues, director do Festival de Avignon, em França, assinou um artigo no PÚBLICO em que lamentava o afastamento, os moldes em que se deu e a ausência de explicações, recordando as violentas críticas à programação do TBA proferidas há dois meses, na Assembleia Municipal de Lisboa, por Margarida Bentes Penedo, deputada municipal do Chega. O silêncio da autarquia “abre a porta a uma interpretação gravíssima”, escreve Tiago Rodrigues, “a de um saneamento político do director e de todo o projecto por pressão interna da extrema-direita no município”.
Contactado pelo PÚBLICO, Miguel Loureiro, director do São Luiz desde 1 de Junho de 2023, função que acumulará com a direcção artística do TBA, de novo por nomeação directa, declinou prestar declarações. Quando assumiu funções no São Luiz, ocupando o lugar que antes pertencera a Aida Tavares, Loureiro assumia um mandato de três anos, vincando que não pretendia abandonar por completo o seu trabalho como actor e encenador.
Na altura, em entrevista ao PÚBLICO, referia que a sua visão para o São Luiz passava por torná-lo um lugar de celebração e “um salão onde se apresenta não só teatro, mas também linhas prementes da dança e da música – da música mainstream, da música jazz, até da música improvisada”, num arco que imaginava poder ir “do Miso Ensemble ao Ruy de Carvalho”. “Não me interessa um sítio elitista”. Sobre o caminho que pretende empreender no TBA, nada se sabe por enquanto.
Cumprindo com a sua intenção de se manter activo fora da órbita da programação, já enquanto director do São Luiz encenou Quando o Telefone Toca de Franz X. Kroetz e dirigirá no São João, em Junho, O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues. Antes, encenara autores como Tennessee Williams, Molière, Almeida Garrett, Dante Alighieri, Rainer Maria Rilke ou Marguerite Duras, tendo criado também espectáculos de um desenho mais poético como Nova, Caledónia e Como Rebolar Alegremente Sobre Um Vazio Exterior (um díptico em parceria com o artista plástico André Guedes focado na Comuna de Paris de 1871 e na deportação dos revolucionários para a Nova Caledónia), Paros > Sarah > Lisboa (a partir de Sarah Bernhardt, interpretada por Beatriz Batarda) ou Do Natural (adaptação do livro homónimo de W.G. Sebald, sobre memória, perda e decadência).
Antes ainda, o encenador que diz acreditar num teatro livre de ideologias – “Não tenho nenhum tipo de agenda, sou permeável a todas, oiço-as”, disse em entrevista ao PÚBLICO ao assumir o São Luiz –, trabalhou a partir das biografias de gente tão distinta quanto a rapper Nicki Minaj ou a irmã de Fidel Castro, Juanita Castro, em performances homónimas.
Como actor, Miguel Loureiro trabalhou com Nuno Carinhas, Carlos Avilez, Luis Miguel Cintra, Bruno Bravo, Luís Castro, Lúcia Sigalho, André e. Teodósio, Álvaro Correia, Tónan Quito ou Carlos Pimenta, tendo sido premiado, em 2018 e 2019, pela sua interpretação nas peças Esquecer (texto de Dimítris Dimitrádis, encenado por Jean Paul Bucchieri, Globo de Ouro) e Timão de Atenas (encenação de Nuno Cardoso para a peça de Shakespeare, Prémios SPA).
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