Morre Dennis Carvalho, que mudou a TV com Vale Tudo, Dancin’Days e Fera Ferida

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Morreu neste sábado o ator e diretor Dennis Carvalho, aos 78 anos. A informação foi confirmada pela assessoria do hospital Copa Star, onde ele estava internado. A pedido da família, não foram divulgados mais detalhes da morte. “O Hospital Copa Star confirma, com pesar, o falecimento de Dennis Carvalho neste sábado e se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda. O hospital também informa que não tem autorização da família para divulgar mais detalhes”, diz a nota do hospital.

Dennis Carvalho deixa três filhos: Leonardo Carvalho, ator, seu filho com Christiane Torloni; Tainá, filha de Monique Alves, e Luíza, de Déborah Evelyn.

Nascido em São Paulo em 1946, Dennis começou a carreira ainda criança, aos 11 anos, quando sua mãe o levou a um teste para a novela Oliver Twist — ele perdeu o papel principal para Osmar Prado, mas interpretou um amigo dele na trama. Com as mudanças na voz trazidas pela adolescência, Dennis foi trabalhar com dublagem, fazendo a voz do cabo Rusty, amigo do cachorro Rin-tin-tin, no seriado homônimo.

A estreia na TV ocorreu, de fato, aos 16, em 1964, pelos teleteatros da TV Tupi. Em 1975, chegou à Globo para integrar o elenco de Roque Santeiro, mas a novela de Dias Gomes seria abortada pela censura e só foi refeita dez anos depois, quando Roberto Matias, seu personagem no elenco original, foi destinado a Fábio Júnior. Carvalho entrou em cena na nova produção, mas então como Tomazini, uma figura menor.

Àquela altura, o rapaz já dedicava mais tempo à direção do que à interpretação. Ainda em 1977, estreou como diretor na novela Sem Lenço, Sem Documento, de Mário Prata. Descobrira o prazer de estar por trás das câmeras, sem, contudo, abandonar os holofotes — era comum interpretar pequenos papéis, inclusive nas produções que comandava. No total, dirigiu mais de 40 novelas, minisséries e especiais na emissora carioca.

A cena da morte de Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall, em “Vale Tudo” foi gravada no mesmo dia da exibição para não ter vazamento
Reprodução/ TV Globo

Parceria com Gilberto Braga

A carreira de Carvalho ganhou notoriedade principalmente pelas parcerias com Gilberto Braga, com quem mais fez dobradinhas, a partir da vanguardista Dancin’Days (1978). Fizeram ainda O Dono do Mundo (1991), Brilhante (1981-82), Celebridade (2003) e Paraíso Tropical (2007).

Mas a principal dessas dobradinhas foi Vale Tudo (1988), cuja cena final, que revelava o assassino de Odete Roitman, foi dirigida por Carvalho no mesmo dia da exibição, para evitar vazamentos. “Vamos matar Odete Roitman”, avisou ele, com cigarro Hollywood entre os dedos e o maço sobre a mesa de onde coordenava a edição. Ao final, afirmou ao Fantástico: “Acho que eu escrevi também o meu nome na história da televisão”.

“O sucesso do Dennis é meu, e o meu sucesso é dele. Nunca nos perguntamos quem manda mais. Temos respeito e admiração um pelo outro. Já tivemos divergência de opiniões. Em Labirinto [minissérie de 1998], por exemplo, eu pensei para um dos papéis-chave numa atriz que ele não queria”, contou Gilberto Braga à Folha em 2007. “Procurei outra atriz, nem argumentei que achava que a minha indicação estava certa. Aliás, continuo a achar que estava, mas a minha relação com o Dennis era mais importante do que essa escalação.”

Outro legado da dupla Braga-Carvalho para a história da TV foi a minissérie Anos Rebeldes, que completou 30 anos em 2022. Primeira história de ficção disposta a retratar a resistência à ditadura militar na tela da Globo, a produção acabou contagiando a geração jovem da época em que foi ao ar, que adotou a música-tema da série, Alegria Alegria, hino de Caetano Veloso de 1968, para ir às ruas daquele 1992 de cara pintada, pedir o impeachment do presidente Fernando Collor.

Ainda das minisséries bacanas, fez JK e Dalva e Herivelto, ambas de Maria Adelaide Amaral, e A Justiceira, seriado com Malu Mader, criado por Daniel Filho. Outra missão que lhe foi confiada por Daniel Filho foi o Sai de Baixo, grande sucesso das noites de domingo por cinco anos, posto onde Carvalho se alternou com José Wilker.

As atrizes Glória Pires, Sônia Braga e Lídia Brondi em Dancin’Days, de 1978, novela dirigida por Dennis Carvalho
Reprodução/ TV Globo

A lista como diretor se estende a Selva de Pedra (o remake de 1986), Fera Ferida (1993), Explode Coração (1995), Andando nas Nuvens (1999), O Cravo e a Rosa (2000), Um Anjo Caiu do Céu (2001), Três Irmãs (2008), Sangue Bom (2013), Rock Story (2018) e Lado a Lado (2012), de João Ximenes Braga e Cláudia Lajes, vencedora do Emmy Internacional.

Carreira de ator

Como ator, foi galã em Ídolo de Pano (1974-75) e conde Drácula em O Beijo do Vampiro (2002-2003). Foi Nélio Porto Rico na versão original de Pecado Capital (1975-76), até pelas circunstâncias que obrigaram Janete Clair a criar com urgência uma novela para a vaga onde estaria a versão censurada de “Roque Santeiro”, aproveitando o mesmo elenco que estava escalado para o folhetim de Dias Gomes.

No cinema, fez Diabólicos Herdeiros (1971), Ninguém Segura Essas Mulheres (1976), Beijo na Boca (1982), Sole Nudo (1984), Espelho na Carne (1984), Leila Diniz (1987), A Partilha (2001) e Se eu Fosse Você (2006).

O teatro foi uma exceção na carreira de Dennis, sendo marcado por uma única peça, mas de relevância histórica: a montagem do musical Hair, que estreou em 1969 e contou com Carvalho na temporada de 1970. O último trabalho de Dennis foi como diretor do Show 60 Anos, exibido em abril de 2025 em celebração aos 60 anos da Globo e os 100 anos do Grupo Globo.

Polêmicas

Fumante compulsivo, o diretor viveu intensamente a era do consumo de cocaína e da glamourização do cigarro, e chegou a falar sobre a superação às drogas ilícitas em entrevistas, mas não teve o mesmo sucesso com as tentativas de largar a nicotina.

Dennis também se viu obrigado a driblar acusações de assédio sexual. Em 2010, saiu inocentado de uma denúncia feita por um ator gaúcho, Nil Gomes, que foi ao YouTube relatar o fato. Em 2021, Tiago Santiago, autor da trilogia Os Mutantes, da Record, relatou em live no site DCM que o diretor tentou beijá-lo quando ele, ainda jovem, aos 19 anos, trabalhava como ator nos estúdios da Globo.

Foi casado com a atriz Bete Mendes, a professora de Educação Física Maria Tereza Schimidt e as atrizes Christiane Torloni, Monique Alves, Tássia Camargo, Ângela Figueiredo e Deborah Evelyn, com quem esteve por 24 anos, até 2012. É pai de Leonardo Carvalho, ator, seu filho com Christiane Torloni e irmão gêmeo de Guilherme, que morreu em 1991 em um acidente.

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